O stress é, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a “epidemia do século XXI”, com o setor dos eventos a ser considerado um dos mais afetados, de acordo com um estudo do World Scholarship Volt, que definiu a profissão dos organizadores como a terceira mais associada ao stress em 2023. Por estar diretamente inserida num ambiente de grande responsabilidade e expectativa, trata-se de uma área com horários irregulares, trabalho intenso e com situações inesperadas e absorção das frustrações e ansiedade dos clientes.
Um inquérito da DECO PROteste revelou que 56% dos portugueses afirmam sentir ansiedade, stress e perturbações no sono, sendo os picos de trabalho a principal causa destes sintomas. O cenário torna-se ainda mais evidente na organização de cerimónias, cujo planeamento exige tempo, dedicação e atenção constante, perante uma realidade em que têm de ser conciliados diferentes eventos em datas próximas. No fundo, preparar um único evento é um trabalho a tempo inteiro que raramente é possível que seja encarado como tal.
Entre o contacto com os anfitriões, a contratação dos fornecedores e a tomada de decisões importantes num curto espaço de tempo, ter tudo controlado pode, por vezes, parecer impossível. E é aqui que começam a surgir os primeiros efeitos do stress, como cansaço recorrente, irritabilidade, dor de cabeça e alterações no sono ou no apetite. Quando ignorados, estes sinais comprometem tanto o bem-estar individual, como o sucesso da celebração.
Independentemente da dimensão de uma cerimónia, ficar responsável pela sua organização não costuma ser sinónimo de tranquilidade mas, de facto, pode ser. O segredo está em manter o foco no propósito do evento e em solicitar o apoio de profissionais especializados, para assegurar os detalhes logísticos e aliviar a carga emocional associada. Antecipar tarefas e atividades, dividir responsabilidades e assumir uma comunicação transparente quanto ao ponto de situação real são passos imprescindíveis para tornar todo o processo mais descontraído e agradável.
A gestão emocional é, neste contexto, um importante suporte para manter o entusiasmo inicial até ao dia do evento. Definir limites no horário de trabalho, delegar funções e garantir períodos de descanso são ações que promovem o equilíbrio, o bem-estar, a saúde mental e a criatividade, fatores cruciais para lidar com a pressão e com imprevistos de última hora.
No fundo, o sucesso de um evento depende tanto da sua boa organização, como do estado de espírito e da predisposição de quem o planeia. Um ambiente sereno favorece decisões mais assertivas e um resultado mais eficaz. Planear uma cerimónia sem sentir stress não é abdicar da atenção ao detalhe, do rigor, ou da perfeição. É usufruir da experiência, percebendo que os melhores eventos são aqueles em que todos, incluindo os que os organizam, conseguem verdadeiramente sentir-se realizados e desfrutar, com orgulho, do momento.
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