Comportamentos desumanos e recorrentes contra a mulher
Em todas as civilizações, em todos os momentos, em todas as religiões e ideologias, em todos os países, a mulher é o ser humano mais desvalorizado, perseguido e agredido. A mulher, como indivíduo e como grupo, é, permanentemente, assediada e humilhada por indivíduos oriundos de todas as classes sociais, assim como pelo Estado e pelas entidades patronais. As religiões e as ideologias políticas mais representativas no mundo -particularmente as religiões monoteístas e as ditaduras- são extremamente violentas e desrespeitadoras da mulher.
Desde muito jovens, durante toda a sua vida as mulheres, – independentemente da sua origem socioeconómica e cultural-, são obrigadas a terem -permanentemente- cuidados especiais para se protegerem de predadores e associais. A preocupação constante, o medo, o isolamento e o trauma que retêm das múltiplas agressões de que são vítimas, perturba, profundamente, o desenvolvimento normal das meninas, da grande maioria das mulheres, sufoca a sua existência e causa danos permanentes e irreparáveis à sua saúde. Como é possível que as nossas mães e avós, filhas e esposas, amigas e concidadãs, continuem nesta situação, pela qual só nós somos responsáveis?
Comportamentos desumanos e recorrentes contra as crianças e os jovens
Se as mulheres ainda se podem defender, e muitas vezes o fazem com sucesso -por exemplo, ao exigirem o direito ao voto- para as crianças e para os jovens é quase impossível defenderem-se. As crianças e os jovens sempre foram e continuam a ser as vítimas de todo o tipo de comportamentos bárbaros e associais, desde a escravatura ao infanticídio, desde a exploração á institucionalização compulsiva e generalizada, sem apelo ou direito à palavra. Em muitos países, as crianças, desde muito jovens, permanecem mais tempo em instituições de ensino do que com a família. Crianças, pais e avós vivem vidas separadas e mal se conhecem. O vazio emocional torna-se uma dor insuportável que a todos nós fragiliza.
Comportamentos desumanos e recorrentes contra as famílias
Ignorar a família, no sentido de não ouvir a sua voz e relegar para o lixo os seus sonhos e sofrimento, é comum a todas as civilizações, religiões e ideologias. As famílias asseguram a sobrevivência das comunidades e da sociedade, mas não têm representação, nem marcam presença na sociedade. As famílias estão expostas a todas as desconsiderações e abusos, sem que -também elas- se possam defender. As famílias têm enormes dificuldades em sobreviver numa sociedade que as não reconhece.
Quando o passado como o presente de uma comunidade são terrivelmente traumáticos e sistematicamente ocultados, é expectável que os agressores como as vítimas, apresentem patologias graves e que a sociedade seja disfuncional. Esta situação é insustentável.
É preciso reagir: defendermo-nos, exigir e criar, para todos, a mesma sociedade. Isto é saudável, salutar e até pode ser divertido.
As mulheres e as jovens, os jovens e as famílias têm de se fazer representar em toda a sociedade, exigir poder social e institucional. É urgente fazer uso da democracia e, se necessário, dizer: nós somos a maioria. É necessário falar com amigos, família e vizinhos, tomar iniciativas, criar musculo social e político.
Nós, os outros, precisamos de ajuda, muita ajuda para nos juntarmos ao movimento.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.