No verão de 2025, o município de Nelas, no distrito de Viseu, teve de recorrer ao uso de camiões-cisterna para abastecer a população local. O município depende do fornecimento de água distribuído por Mangualde que, por sua vez, depende da água disponível na Barragem de Fagilde, logo, a elevada dependência da área da água captada por esta infraestrutura deixa a região numa situação precária, principalmente em anos de seca. A região tem debatido de forma bem acesa se deve aderir à empresa intermunicipal Águas do Douro e Paiva, mas entre desentendimentos políticos e processos em tribunal, as diferenças de posição entre executivos e oposições parecem estar num impasse inultrapassável. Por um lado, argumenta-se que a gestão intermunicipal traria ganhos de escala, por outro, combate-se a perda de poder dos municípios sobre a gestão das suas águas. Uma empresa intermunicipal mais pequena, cobrindo a região de Viseu, chegou a ser desenhada em 2020, mas o projeto caiu por terra em 2021 e, cinco anos depois, continua sem haver uma alternativa.
“Trata-se de uma das zonas do País mais vulneráveis às alterações climáticas,” constata António Borges, que até março de 2026 era presidente da Águas do Douro e Paiva, “como se constata pelos acontecimentos recorrentes de escassez hídrica e de falhas no abastecimento de água às populações na última década. Basta lembrar o ano de 2017 com a necessidade de uso de camiões-cisterna que vieram do rio Balsemão para Fagilde, ou no ano que passou, em Nelas, onde a situação foi também crítica”.
