Os comportamentos das administrações do presidente D. Trump (USA) e V. Putin (Federação Russa) confirmam que estas seguem os mesmos princípios morais, ideológicos e políticos:
– o mais forte tem sempre razão,
– os mais fracos têm de se submeter aos mais fortes,
– a verdade e a lei, sou eu,
– embora o achem, isto não é nem normal, nem natural.
Nestes países, questionar os comportamentos do presidente e da sua administração é considerado absolutamente inaceitável e desencadeia de imediato irritação, agressão e um enorme desejo de vingança por parte do Estado, contra quem não o segue.
Quando os princípios basilares da democracia (e da saúde mental) tais como o Estado de Direito Democrático, a Liberdade de Pensamento e de Expressão e a Liberdade de Escolha lhe são sonegados pelos homens mais poderosos do mundo, o cidadão, atónito, sente-se ameaçado e despojado da sua dignidade. O cidadão experiencia um ambiente social totalmente anormal e extremamente agressivo, quase irreal. As pessoas sentem-se desorientadas, envergonhadas e interrogam-se: como lidar com uma situação que tira todo o sentido à nossa existência?
Tudo é encenado e manipulado, mas a maldade é genuína e inabalável
As políticas internacionais destas duas administrações estão em sintonia, completam-se e ajudam-se mutuamente, em particular no que diz respeito à guerra de agressão da Federação Russa contra a Ucrânia -um país membro da ONU:
– o agressor é bem tratado, apreciado e recompensado
– o agredido é humilhado, ridicularizado e canibalizado
Estas duas administrações não reconhecem a ordem estabelecida, desprezam as fronteiras de países independentes, o Direito Internacional, a Organização das Nações Unidas e o Tribunal Penal Internacional na Haia. A Federação Russa há muito que anexa -através de ações militares- regiões de países independentes como por exemplo no caso da Geórgia e da Ucrânia. Os Estados Unidos informam o mundo que querem o Canadá, o Panamá e a Gronelândia (Dinamarca). Estes dois presidentes, D. Trump e V. Putin, consideram perfeitamente normal e legítimo apoderarem-se das riquezas e dos territórios de países independentes, inclusivamente dos seus habitantes, aos quais negam a sua identidade e dignidade. Estes dois presidentes colocam a humanidade em estado de choque, causam-nos enorme angústia e sofrimento e consideram-se absolutamente extraordinários em tudo o que fazem. O disfuncionamento- continuado- emocional, comportamental e cognitivo provoca, frequentemente, gravíssimos problemas e incidentes a quem lida ou se encontra ao alcance destas pessoas.
Comportamentos perturbadores, anormais, padronizados. A maldade institucionalizada e o desconhecimento de como líder com estas situações.
No âmbito da NATO, a administração dos Estados Unidos da América do Norte, para além de querer anexar dois países membros e de se recusar a participar na defesa comum, como estipula o Tratado que assinou em 1949, negoceia -unilateralmente- com a Federação Russa o fim da agressão desta à Ucrânia. Fá-lo sem qualquer mandato, enquanto manifesta uma enorme admiração e simpatia pelo agressor. Este ameaça frequentemente utilizar as suas armas nucleares contra quem a incomodar e manifesta o seu desejo de continuar a marchar até ao Mediterrâneo. A guerra de conquista da Federação Russa -que se identifica e alinha com a ex-URSS- já começou. A Ucrânia e os ucranianos, são, de facto, a primeira linha de defesa da Europa (democrática).
Precisamos de aprender a nos protegermos, a ajudar e a amar.
Neste contexto, o que significa a NATO do ponto de vista moral, ético e militar? Perante a invasão da Europa por parte da administração russa, apoiada militarmente pela pelo Irão e pela Coreia do Norte -com a China na retaguarda- o que propõe o secretário-geral da NATO, aos 650 milhões de cidadãos europeus, aos 340 milhões de americanos, aos 40 milhões de canadianos e aos 140 milhões de russos? O que vão, ou o que vamos fazer se as duas administrações obrigarem a Ucrânia e os ucranianos a renderem-se e a entregarem o que é deles, de direito? Como nos protegemos da insanidade e como vamos preservar a nossa humanidade e humanismo? Como está a sociedade civil dos países europeus? Os cidadãos estão alerta, ativos e disponíveis para criarem um pacto social, global, de defesa e ajuda?
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