“Quando é que podemos ir à sua ilha?” O email de Elon Musk para Jeffrey Epstein, em dezembro de 2013, está a ser ridicularizado nas redes sociais, pois dá sempre satisfação ver o homem mais rico do mundo a pedinchar um lugarzinho num restrito “clube” de milionários. Mas que lugar!
Nos três milhões de documentos do arquivo do predador sexual e pedófilo que foram libertados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos durante o fim de semana, não fica claro se Elon Musk chegou a ir ou não à ilha, ou se teria levado o seu jato particular ou apanhado boleia no “Lolita Express”, como era apelidado o avião particular de Epstein. O que fica bastante claro é que o dono da Tesla mentiu quando escreveu na rede social X, em setembro: “Epstein tentou convencer-me a ir à ilha dele e eu RECUSEI.”
Já ninguém quer ser amigo de um fantasma – o bilionário, que fez fortuna com fraudes e esquemas financeiros, enforcou-se na prisão em 2019. Mas eram muitos e influentes os seus amigos quando estava no auge. No auge do dinheiro e da pedofilia. Começando em Donald Trump e acabando em André Mountbatten-Windsor, ex-príncipe e irmão do rei de Inglaterra, os nomes dos famosos desfilam por aqueles três milhões de páginas infames, carregadas de pornografia, sexual e política.
São os senhores do mundo, de tal maneira autointitulados que julgam poder fazer tudo e sair impunes. Talvez a frase que melhor os defina tenha sido a que Donald Trump disse recentemente, a propósito da invasão da Venezuela e dos problemas que isso coloca ao direito internacional. “Eu não preciso da lei internacional. A única coisa que pode parar-me é a minha moralidade.”
E assim vai o mundo, em que cada um define o que é ou não moral e se comporta segundo a sua consciência (ou falta dela). Claro que uns podem fazê-lo, outros nem por isso. A linha que os separa é traçada pelo dinheiro.
O ex-duque de York, de gatas, debruçado por cima de uma mulher jovem (quão jovem não é possível perceber), é uma das imagens mais infames do arquivo Epstein agora divulgado. Junto com emails em que aparece muito excitado com a perspetiva de ir conhecer uma “jovem russa” que o predador queria apresentar-lhe.
Donald Trump, citado em 5 300 arquivos, diz que os documentos agora divulgados o absolvem. É um facto que nenhuma das alegações que aparecem no arquivo tenha sido comprovada, incluindo as alegações de uma mulher que o acusa de a ter violado quando ela tinha 13 anos (ela depois retiraria a queixa, mesmo antes das eleições de 2016).
A amizade entre Epstein e Trump durou décadas, mas o Presidente dos EUA jura que nunca percebeu nenhum indício de violações ou abusos sexuais do bilionário. Nenhum dos seus antigos amigos viu nada. A lista inclui nomes como Richard Branson (fundador da Virgin), Bill Gates (que, segundo o arquivo do predador, se viu em apuros para esconder da sua então mulher, Melinda, uma infeção sexualmente transmissível após ter tido relações sexuais com “miúdas russas”), Bill Clinton, Casey Wasserman (presidente do comité organizador dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028), Ehud Barak (antigo primeiro-ministro de Israel), Steve Bannon (antigo conselheiro de Trump e guru da extrema-direita), e por aí fora… Tudo ricos rapazes.