Caros Portugueses,
Olho para o mundo no geral e o Ocidente em particular e não gosto do que vejo. O meu país não foge à regra. O medo, demasiadas vezes camuflado por agendas políticas fascistas, racistas e extremistas, contraproducentes em toda a sua plenitude e desde a sua origem, voltou a ameaçar muitas sociedades. O nosso país não foge à regra. Com alicerces como a manipulação digital através das fake news, mas não só, prospera todo um ecossistema de extrema-direita que faz por destruir o regime e, com este, o nosso tecido social.
Ora, se é verdade que eu faço orgulhosamente parte do sistema democrático e liberal que começou a ser construído há mais de 50 anos, também não posso ser pouco realista e ignorar que existem falhas graves que necessitam de melhorias urgentes. Não entrarei na politiquice para me debruçar sobre o facto de o atual Presidente da República falar ou não demais e se isso foi ou é prejudicial para o País. Constato apenas que mereceu, duas vezes e por larga vantagem, a confiança da maioria dos portugueses. Nos momentos de maior necessidade e complexidade institucional, falhou pouco, substituindo-se a outros que, por manifesta incapacidade ou jeito político, não estiveram à altura. Por simpatia e em contraciclo aos meus oponentes que se deixam levar por aquilo que julgam ser os ventos políticos da moda em vez de serem os próprios a procurar defini-los, não os enumerei.
Assumo-me como um homem de centro-esquerda, socialista, republicano e laico. É essa a minha origem que nunca esteve e jamais estará aberta a leilão. Digo-o porque observo muitos candidatos com dificuldade em falar claramente sobre o lugar intransponível de onde vêm, onde estão e essencialmente pelo temor de não chegarem a outros lugares de voto. Nada disto é novo entre alguns na minha perspetiva e mereceu a minha crítica noutras alturas. Só que é um dos males que mais saltam à vista hoje porque é aquilo que, entre tantas e tantas outras coisas, mais faz prosperar os candidatos de extrema-direita.
Sou deste regime com orgulho e não acredito em nenhum outro para fazer diminuir as desigualdades que se têm acentuado tanto nos níveis de pobreza do nosso país, como num Serviço Nacional de Saúde que merece melhor coordenação e organização desde a pandemia. Entre todas as partes representadas na Assembleia da República.
Uma Justiça que precisa de uma reforma urgente. Bater-me-ei, exigirei isto dos futuros governos e muito mais. Um Ministério Público verdadeiramente independente, tanto das amarras políticas, que é crucial, como da agenda política da extrema-direita, que o capturou numa pequena mas determinante parte, deixando a própria governabilidade política do País noutro tipo de amarras, sempre sem prova, sentido nem justificação. De igual modo, procurarei influenciar este e qualquer governo futuro para que o sentido de existir maior habitação pública seja uma constante e olhado de forma grave. Nenhum português pode ficar sem casa.
Caros Portugueses,
Quero um país cada vez mais relevante a nível europeu. É a nossa matriz e nunca podemos esquecer-nos do papel que fomos desempenhando nesta União Europeia. Paralelamente, sempre com um pé nos países que falam a nossa língua e que partilham uma História conjunta com Portugal. Jamais podemos colocar-nos à margem do lado certo disso mesmo em tempos de totalitarismo tão perto de nós e do trumpismo nos EUA. Serei um Presidente que defenderá sempre a Constituição, a consagração dos caminhos ditados pela democracia, mas um feroz opositor do extremismo e de todos os seus alicerces que tanto poluem o nosso país.
Desde a infiltração da extrema-direita nos mais variados setores que o País marca passo no exterior, na economia, na segurança, na atração de investimento público e na ameaça às mais variadas liberdades. Comigo, voltaremos ao Portugal aberto, mais justo e que se desenvolve na sua diversidade porque foi sempre aí que estivemos nos melhores períodos e nos que mais interessam.
O Mário Soares voltou do futuro e candidata-se à Presidência da República.
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