A par do contexto económico e geopolítico, um dos grandes desafios do mercado imobiliário atual, continua a ser a escassa oferta de construção nova dirigida para as famílias portuguesas. O número de casas novas disponíveis no mercado tem vindo a crescer, mas ainda não é suficiente e encontra-se longe das médias históricas.
Mesmo com os desafios atuais, o mercado tem-se mostrado bastante resiliente, continuando a verificar-se boas taxas de colocação e interesse entre os compradores e investidores nacionais e internacionais. A verdade é que, nos momentos de maior incerteza, os ativos imobiliários continuam a representar um investimento seguro e rentável.
O desenvolvimento de novos empreendimentos com projetos inovadores, sustentáveis e em simbiose com o paradigma lazer-trabalho dos tempos atuais vem colmatar parte da lacuna entre a oferta e a procura e dar uma nova vida e centralidade às zonas adjacentes aos centros históricos e consolidados das grandes cidades. No caso de Lisboa, falamos de zonas de grande crescimento e potencial como a Alta de Lisboa, Miraflores, Loures ou Setúbal, onde ainda há espaço para construção nova de qualidade e que despertam cada vez mais interesse, pela facilidade nos acessos e diversidade de infraestruturas.
A fixação de pessoas gera desenvolvimento económico, sobretudo do pequeno comércio local que serve estas comunidades. Na mesma proporção, um bairro com vida, com oferta comercial, escolas, acessos, uma boa rede de transportes, ginásios, serviços de saúde e espaços verdes acaba por ser valorizado e atrair mais pessoas. Em paralelo, toda esta oferta de serviços e circulação de pessoas promove também a fixação de escritórios e empresas que dinamizam ainda mais o tecido económico.
Além do potencial socioeconómico, o desenvolvimento de novos centros urbanos é igualmente favorável em termos ecológicos. Desde logo, este cenário promove a mobilidade suave em zonas próximas das grandes cidades, o transporte coletivo e até facilita a opção de ir a pé aos serviços essenciais, reduzindo a pegada carbónica. Quem nunca desejou viver perto de uma boa rede de transportes, oferta de serviços e com boas acessibilidades?
Por outro lado, a construção nova permite fazer escolhas mais conscientes e racionais em termos de consumo e impacto ambiental, nomeadamente no que toca aos materiais (optando por soluções com menor impacto na produção ou no transporte, com matéria-prima reciclada ou que sejam mais duradouras, aumentando o ciclo de vida de um edifício) e também no que toca à gestão de resíduos ou às dinâmicas de abastecimento partilhadas, de que são exemplo os bairros energéticos.
Foi com o objetivo de promover estas novas realidades que pensámos o projeto Mirear, para que pudesse impactar a mancha urbana de Miraflores e que surge depois do lançamento do Altear, em 2019, na Alta de Lisboa. Este projeto criou um novo centro e deu uma nova vida à cidade, que agora dispõe de uma maior oferta residencial e comercial, numa zona com amplas zonas verdes, proximidade de acessos (metro, autocarro, aeroporto, eixos urbanos) e serviços (supermercado, parafarmácia, ginásio, cafés, esplanadas, entre outros), bem como uma larga oferta de escolas públicas e privadas.
São projetos como estes que vão permitir a promoção de novas dinâmicas de bairro, acessíveis ao centro, mais amigos do ambiente e que estão alinhados com um estilo de vida mais calmo e saudável. Poder fazer parte destas novas dinâmicas urbanas e mudar positivamente as configurações das cidades, criando ambientes mais colaborativos e partilhados é um privilégio. Que, juntos, possamos construir o futuro das nossas cidades.