Se dúvidas havia, creio que, no último fim-de-semana, se começaram a dissipar: o FC Porto vai, muito provavelmente, revalidar o título de campeão nacional de futebol. É verdade que há ainda oito jornadas e 24 pontos por disputar. Mas alguém acha possível que os dragões venham, até ao final do campeonato, a perder mais cinco pontos do que o Sporting, ou mais seis do que o Benfica? Eu não.
Contra factos, diz a sabedoria popular, não há argumentos. Na altura decisiva da temporada, o FC Porto volta a surgir mais forte, mais consistente e mais confiante do que os adversários directos. E demonstra-o não só na Liga Sagres, mas também na Liga dos Campeões. E, a partir de agora, só um descalabro pouco provável o desviará do rumo do tetracampeonato. Mais um.
Depois de aguentar as recepções ao Benfica e Sporting sem perder terreno, o FC Porto estabilizou e aproveitou o ritmo competitivo da Champions para assumir, de vez, a candidatura. A maturidade e segurança exibida na prova europeia é, aliás, a imagem de marca de uma equipa habituada a falhar muito pouco nos momentos cruciais. Apesar de contestado por muitos, Jesualdo Ferreira consegue, de novo, construir um bloco fortíssimo, um verdadeiro tetra pack. Ao contrário dos adversários, que parecem fadados, uma vez mais, a lutar pelo segundo lugar, o único que, este ano, poderá dar acesso à Liga dos Campeões, para além do vencedor da Liga Sagres.
A dupla humilhação frente ao Bayern Munique só veio acelerar a degradação de uma equipa e um clube em permanente convulsão. Só mesmo as disputas directas (pela Taça da Liga e pelo segundo lugar) com o eterno rival de Lisboa poderão motivar o Sporting. Caso contrário, as permanentes questões em torno dos jogadores, as indecisões directivas e, agora, a contestação (em termos muito preocupantes) de alguma massa adepta podem conduzir a final de época muito penoso.
Finalmente, o Benfica volta a falhar nos momentos cruciais. A falta de consistência que já conduzira ao afastamento da Taça UEFA é a mesma que conduziu à derrota em casa diante do Vitória de Guimarães e que não permite aos benfiquistas continuar a acreditar no título. Com a forma como a equipa joga, quem acredita que os comandados de Quique Flores vão conseguir ganhar os oito jogos que faltam para poderem beneficiar de duas eventuais derrotas do FC Porto e, pelo menos, um empate do Sporting?
A final do próximo sábado, no Estádio Algarve, reveste-se, pois, de especial importância para as duas equipas de Lisboa. Além do título em disputa, em causa poderá estar o tónico moral para uma fase final da temporada que permita manter a esperança e preparar a próxima época sem a angústia dos maus resultados e a contestação dos adeptos.