*** Serviço áudio e serviço vídeo em www.lusa.pt ***
Lisboa, 16 Abr (Lusa) – O PCP assumiu hoje “um compromisso solene com os trabalhadores, o povo e o país” de ruptura com as políticas dos três maiores partidos da oposição e prometeu “outro rumo para a Europa” neste período pré-eleitoral.
A proposta do PCP “afirma-se em ruptura com o actual modelo de integração europeia neoliberal, federalista e militarista ao serviço do grande capital e das grandes potências”, afirmou o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa.
O líder comunista falava esta tarde numa conferência destinada à apresentação da declaração programática do PCP para as Eleições Europeias 2009.
Jerónimo de Sousa acusou o PS, o PSD e o CDS de encetarem “artes e manejos de ocultação de responsabilidades (…) com as suas apressadas e ilusórias viragens à esquerda e as suas manobras de anúncio de rupturas com as políticas que também sempre foram suas”.
“Ensaiaram à volta da recandidatura de Durão Barroso para a Comissão Europeia uma tentativa de diferenciação, mas tal como em relação ao essencial das suas políticas aí estão já unidos no seu propósito de o eleger, com Vital Moreira a dar o dito por não dito, seguindo a tradição de tais partidos de anunciar uma coisa, a pensar fazer outra”, afirmou.
Jerónimo de Sousa aproveitou a ocasião, dirigindo-se assim ao Partido Socialista e ao seu canditato ao Parlamento Europeu, Vital Moreira, não poupando críticas.
“Ao Partido Socialista e ao seu candidato queremos desde já dizer: não tentem dividir os portugueses entre europeus e não europeus, não resulta. A Europa não é uma coutada ideológica do PS ou do PSD ou um qualquer conceito por si inventado e portanto de uso exclusivo. Não! A Europa é uma realidade objectiva, um conjunto de povos e nações, cada uma com a sua história, identidade, realidade, cultura e liberdade”.
Mas as mensagens de Jerónimo de Sousa foram um pouco mais além, chegando a citar o nome do actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
“A nossa Europa, não é a União Europeia de Sócrates, nem a de Durão Barroso, nem das forças que o suportam, nem as da sua família ideológica, nem tão pouco de uma certa esquerda federalista que entrega despreocupadamente ao desbarato aspectos essenciais da soberania para reforçar o projecto de integração europeia capitalista e imperialista do directório dos grandes e do capital”, frisou.
Para o PCP “é cada vez mais patente a utilização da crise como pretexto para a concentração do poder económico, para maiores avanços na liberalização dos mercados e para a consolidação do directório das grandes potências”.
“Estratégia que em Portugal a candidatura do PS/Sócrates e Vital claramente já assumiu sob a capa da necessidade de mais e melhor regulação e de um falso distanciamento do neoliberalismo”, considerou Jerónimo de Sousa.
E lembrou, a propósito, “as sombrias previsões de terça-feira do Banco de Portugal de profunda recessão económica para o presente ano em Portugal e no dramático avolumar do desemprego e das situações de pobreza e exclusão social (…) efeito das políticas de direita de sucessivos governos do PS, PSD e CDS”.
Na Declaração Programática hoje apresentada os comunistas apresentam seis pontos fundamentais com base nos quais prometem lutar nestas eleições: democracia e soberania nacional, emprego e direitos dos trabalhadores, progresso económico e social, defesa dos serviços públicos, efectivação dos direitos e a igualdade e, por último, a defesa do ambiente e a salvaguarda dso recursos naturais.
SMS.
Lusa/Fim