Em entrevista à Exame Informática, o Diretor-Geral da Agência Espacial Europeia (ESA), o alemão Jan Wörner, mostra-se muito favorável à instalação de uma base de lançamento de micro-satélites nos Açores, defendendo que esta solução apresenta claras vantagens relativamente aos outros dois locais em análise no continente europeu, Noruega e Suécia.
“Os Açores são um local de lançamento ideal”, afirma. Além disso, realça, apresentam duas grandes vantagens. “Por estarem mais a sul, onde a Terra gira mais depressa [o movimento de rotação é mais rápido do que em locais mais afastados do Equador] e isto é uma grande vantagem para o lançamento. Permite-nos apanhar boleia do movimento de rotação. Além disso, por ser um território afastado da parte continental torna-se mais seguro.”
Para os lançamentos de cargas maiores, a ESA continuará a servir-se do Porto Espacial Europeu instalado na Guiana Francesa, de onde partem os foguetes Vega e Ariane. É para esta nova geração de satélites, com peso inferior a cem quilos, que a Europa procura um local de lançamento ‘em casa’.
Quando participamos num projeto em colaboração com a ESA passamos a fazer parte de algo maior, em que se combinam as competências de vários. O que pode ser ainda mais relevante para países com orçamentos mais pequenos
Jan woerner
A sete meses de terminar a sua comissão de serviço à frente da ESA, o engenheiro civil que se especializou, no Japão, no impacto dos sismos em centrais nucleares elogia a criação da agência espacial portuguesa PT Space. “Foi uma decisão muito inteligente para Portugal ter criado uma agência espacial nacional. Será um importante motor de desenvolvimento tecnológico.” Descartando que o setor espacial seja apenas para países ricos, reforça que economias mais frágeis podem tirar ainda maior partida do investimento na área. “Quando participamos num projeto em colaboração com a ESA passamos a fazer parte de algo maior, em que se combinam as competências de vários. O que pode ser ainda mais relevante para países com orçamentos mais pequenos, uma vez que esta estratégia possibilita a sua participação em projetos de grande envergadura.”
E aqui, novamente a posição geográfica a apresentar uma mais-valia para o setor espacial. “Portugal, com a sua localização no Atlântico, pode ter um papel muito relevante na área da segurança marítima e da logística. Esta é uma área muito importante”, insiste.