A empresa sueca de serviços de banca aberta (open banking) Tink divulgou nesta terça-feira, 21 de setembro, um estudo que revela que “apesar do crescente sentimento positivo, a implementação completa do open banking levará muitos anos para as instituições financeiras a concretizarem”. E neste ‘campeonato’, 80% dos participantes portugueses dizem que a total implementação dos projetos de sistemas que permitem partilhar dados dos utilizadores (com autorização) com outras entidades financeiras vai demorar mais de cinco anos.
O estudo tem por base questionários a 308 executivos de 12 países e concluiu que, no total, 40% acreditam que as suas instituições financeiras vão precisar entre 5 a 10 anos para concretizarem os seus objetivos de open banking e 37% preveem que será mesmo necessário mais de uma década. No que diz respeito a Portugal, “24% acreditam que as suas instituições irão precisar de mais de 10 anos, enquanto que 57% apontam um prazo entre 5 a 10 anos e 19% para um período inferior a 5 anos”.
Entre os executivos dos diferentes países entrevistados no estudo, os espanhóis (37%), italianos (34%), e franceses (30%) “são os mais otimistas sobre os prazos, prevendo que as suas instituições consigam atingir os objetivos em menos de 5 anos”.
“E não é por falta de interesse por parte das instituições financeiras – muitas encontram-se presas por uma infraestrutura preexistente ou por desafios tecnológicos”, explica, por seu lado, Ricardo Francisco, líder de mercado da Tink em Portugal.
Portugal apresenta ainda uma percentagem abaixo da média europeia no que se refere aos executivos financeiros com um sentimento positivo em relação ao open banking – 59,1% face à média europeia que é de 71%. “Em Portugal, o sentimento é igualmente muito positivo. (…) Porém, eles também sabem que essas iniciativas não se materializam da noite para o dia, pois quase um quarto (24%) esperam que esses objetivos de open banking durem mais de uma década”, refere a empresa em comunicado. No entanto, o sentimento positivo sobre o open banking entre os executivos financeiros portugueses sobe de 33% em 2019 para quase 60% em 2021, refere a Tink.
“Portugal é um mercado onde os clientes usufruem de algumas das vantagens do open banking há vários anos. No entanto, desde a aplicação do PSD2 [Diretiva dos Serviços de Pagamentos revista] houve um impulso na inovação”, refere a Tink. “Os portugueses estão igualmente a ver a iniciação de pagamentos como uma oportunidade importante para permitir a movimentação de fundos de e para suas contas bancárias primárias”, acrescenta.
Prevalecendo um ecossistema de serviços financeiros competitivo e inovador, de acordo com a Tink, as instituições financeiras na Bélgica (87%), nos Países Baixos (85%) e no Reino Unido (81%) são as mais positivas sobre o Open Banking, sendo que todas as instituições financeiras europeias têm a noção da dimensão do prémio de Open Banking, reconhecendo “oportunidades comerciais imediatas que podem ser realizadas através da melhoria da experiência do consumidor (36%), do lançamento de novos serviços digitais (35%) e o aumento da receita (34%)”.

