William Barr, o Procurador Geral dos EUA, afirmou num discurso durante uma conferência sobre espionagem económica chinesa que há propostas para que os EUA se alinhem com a Nokia e/ou com a Ericsson. Este alinhamento poderá passar pela aquisição de uma posição maioritária nestas empresas escandinavas, quer de forma independente, quer através de um consórcio de empresas privadas americanas e de outros países. «Colocar o nosso grande mercado e músculo financeiro atrás de uma ou destas duas empresas permitiria criar um competidor formidável e eliminar os receitos sobre o seu poderio», disse Barr, citado pela Reuters.
A Nokia e a Ericsson juntas têm uma capitalização de 50 mil milhões de dólares e ainda não se sabe que tipo de fundos é que os EUA estão a reservar para cumprir esta ideia. «Nós e os nossos aliados devemos certamente estar a considerar esta abordagem», reforçou o Procurador.
No mês passado, um grupo de senadores propôs legislação para o fornecimento de mil milhões de dólares em alternativas ocidentais às fabricantes chinesas ZTE e Huawei para serem criadas arquiteturas abertas que permitissem a outros fornecedores entrarem no mercado de componentes específicos.
«A China já capturou 40% do mercado do 5G», alerta Barr. Recorde-se que os EUA acusam a Huawei de estar a espiar utilizadores a favor do governo chinês e instigaram os aliados a bloquear o acesso desta fabricante às suas redes. A Huawei, por sua vez, tem negado estas acusações.
No mesmo evento, o diretor do FBI Christopher Wray disse que Pequim estava a tentar roubar tecnologia americana através «de todos os meios necessários» e que havia mais de mil investigações em curso. A unidade de inteligência do FBI revelou que foram presas 24 pessoas acusadas de roubo de tecnologias e que já foram presas mais 19 este ano.
A embaixada chinesa dos EUA já refutou as acusações, dizendo que não têm fundamento. Por outro lado, Nokia e Ericsson não se mostraram disponíveis para comentar estas declarações de Barr.