“Torna-se complicado aliciar um jovem para trabalhar numa empresa portuguesa quando as condições lá fora são melhores. É muito difícil competir com a oferta estrangeira, ainda para mais no momento em que passou a ser possível trabalhar a partir de casa para empresas de outros países”, afirmou João Salvador Oliveira, diretor digital da Randstad Portugal, na conferência “Gestão de Talento no Setor da Tecnologia”.
Veja o vídeo integral do keynote de João Salvador Oliveira, diretor digital da Randstad Portugal
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A maior dificuldade que as empresas na área da tecnologia estão a encontar está relacionada com a retenção de talento na área das Tecnologias de Informação (IT), um problema que se agravou com a pandemia e a grande adesão ao trabalho remoto. Os profissionais da área perceberam que era possível trabalhar para empresas estrangeiras, sem que isso implicasse sair do país, com o grande aliciante de obterem maiores remunerações.
Num estudo realizado pela Randstad, o setor de IT, no ano de 2021, foi considerado o melhor setor onde trabalhar. Agora, em 2024, encontra-se apenas na sexta posição. João Oliveira espera que esta tendência de descida seja “revertida”, afirmando que “temos estado a trabalhar para conseguirmos voltar a recrutar os melhores talentos no setor técnológico.”
Contudo, este problema pode agravar-se com a substituição de pessoas pela Inteligência Artificial (IA).
A Randstad realizou um estudo sobre o impacto que a IA poderá vir a ter no setor de Tecnologias de Informação, no mercado português. Estima-se que 17% do setor será automatizado, mas com isso existe também a possibilidade de surgirem novos empregos. O mesmo estudo concluiu que 36% do setor de IT terá potencial para aumentar a produtividade com a IA. Esta análise refere ainda que o setor das Tecnologias de Informação será o que terá maior potencial para a criação de novas funções.

“É um mercado que tem vindo a crescer sendo o setor mais atrativo para trabalhar no mundo”, afirmou João Oliveira . De acordo com dados do INE, trabalham nesta área em Portugal, 185.300 pessoas, tendo sido registado um aumento de 76% de pessoas empregadas nos últimos 10 anos.
O diretor digital da Randstad apresentou um outro estudo, mostrando as caraterísticas que as pessoas mais valorizam no emprego. O salário representa 73% do que é mais importante para cada pessoa, enquanto que o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal equivale a 66% das preferências. O ambiente de trabalho (65%), e a progressão de carreira (61%), são outras das caraterísticas que cada um mais valoriza no emprego. “É importante que as pessoas sintam-se bem no local de trabalho, ainda para mais numa altura em que a concorrência é quase desleal a nível monetário”.
A conferência que decorreu na ontem no edifício PLMJ, em Lisboa, e que teve como tema principal a “Gestão de Talento no Setor da Tecnologia”, foi uma iniciativa da Exame Informática, Exame, Randstad Portugal e Martech Digital.