Podemos dizer com alguma certeza que os portugueses são avessos ao risco, o que nos faz, indiretamente, avessos à riqueza. Temos medo de assumir riscos, porque nos focamos na possibilidade de perda e não olhamos para o potencial ganho associado a uma decisão diferente. De facto, a incerteza tolda-nos o raciocínio e chega a paralisar-nos em análises e reanálises que desculpam a nossa inação.
Quando falamos de investimento, esta paralisação pela análise assume uma importância mais relevante. Perdemo-nos em estudos e tornamos complexo algo que é bastante simples. Aliás, o processo de investimento pode ser baseado em 4 etapas sequenciais:
- Conhecer os nossos objetivos e prioridades, fator essencial para definir estratégias para os atingir;
- Perceber como funcionam as várias classes de ativos e as suas potencialidades;
- Identificar riscos, de modo que os possamos gerir corretamente;
- Escolher os ativos que tornaram a nossa estratégia uma realidade.
É natural que esta definição de estratégia envolva algum esforço e estudo, mas deve culminar na ação. Depois de definidos os planos é altura de os pôr em prática. E se ajudar, consideremos os custos associados à nossa inação ou o custo de oportunidade. O que perdemos ou deixamos de ganhar por tomarmos determinada decisão? Talvez não saibamos, porque o futuro é incerto. No entanto, há certezas que temos e que nos devem levar a atuar e a investir:
- Vamos viver mais anos, o que implica que temos de poupar mais dinheiro para manter o nosso estilo de vida (este argumento é especialmente válido para as mulheres, que têm uma esperança média de vida mais elevada que os homens);
- Não vamos ter uma reforma como nos prometeram o que, com grande probabilidade, se traduzirá em menos benefícios e mais impostos;
- A população está em envelhecimento, o que provocará alterações sociais muito grandes e um aumento do custo de vida.
Estes e outros argumentos servem para nos impelir à ação. Servem para que ganhemos a consciência de que temos de assumir a liderança das nossas vidas financeiras. Não podemos esperar que o Governo nos suporte (com os nossos impostos). Não podemos permitir que falte a liderança na nossa vida para que consigamos atingir o sucesso financeiro. Para que possamos ser independentes. Para que as nossas vidas não estejam dependentes de decisões de líderes fracos, sem visão ou sem coragem para agir de forma livre.
É notório que temos de mudar os óculos com que vemos a realidade. Tendo ganho a consciência da necessidade de poupar, é agora altura de perceber a urgência de investir. E investir não tem por que ser algo complexo. O passo mais difícil é começar. É ganhar a consciência da nossa realidade e vencer a inércia. Não deixemos que a análise nos paralise. Não sejamos avessos à riqueza!