Encontrar a beleza na alteridade é, com frequência, um bálsamo para as inquietações. O outro, por diferente ou estranho que pareça, tem sempre algo de belo. Tem sempre algo a oferecer ao eu. Da busca dessa beleza nasce a aproximação, a vontade de partilha e a hospitalidade. É a esta epifania e à descoberta do seu caráter transformador que a exposição temporária de arte contemporânea O Outro Como Epifania do Belo convida o visitante.
Promovida pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) em parceria com a Brotéria, esta exposição tem a hospitalidade como pedra basilar na afirmação do outro e resulta de uma tentativa de interrogar artistas e público sobre a beleza que há em cada outro, seja ele quem for. Aqui, a hospitalidade remete para a ideia de cosmopolitismo, um território que alberga todos, sem fronteiras, onde é possível uma verdadeira integração.
A programação sugere um trajeto entre o Largo Trindade Coelho, a Igreja e o Museu de São Roque, o Arquivo Histórico e Biblioteca da SCML, a Brotéria e o Convento de São Pedro de Alcântara, onde estão patentes os diversos núcleos expositivos.

E se o objetivo é promover um olhar livre de preconceitos sobre o outro, faz todo o sentido que umas das mostras tenho sido organizada pelo grupo Manicómio, constituído por artistas que vivem, ou já viveram, com doenças mentais. Sandro Resende, um dos fundadores, traz as obras de Anabela Soares, Cláudia R. Sampaio, Joana Ramalho, Micaela Fikoff e Pedro Ventura, artistas do Manicómio, numa inversão das hierarquias de validação do meio artístico.
Outro exemplo é A Sagração da Água, desenho e instalação sonora de Pedro A.H. Paixão, patente na Igreja de São Roque, e que foi, de acordo com a SCML, “feita em Milão, no rescaldo de um severo período de confinamento, propondo uma meditação delicada que nos resgata da estranha realidade que atravessamos”.
Já no Convento de São Pedro de Alcântara a obra do pintor Rui Pimentel vai ser reapresentada ao público. Uma seleção de inéditos com curadoria de Nuno Malheiro Sarmento.

O Outro Como Epifania do Belo
A exposição pode ser visitada até 5 de Setembro. Em Julho haverá um ciclo de conversas e visitas guiadas com os artistas e outros convidados. Também a obra Em Tudo Havia Beleza, do escritor espanhol Manuel Vilas, será discutida num clube de leitura na Brotéria, moderado por Carlos Vaz Marques. Para Setembro está prevista uma finissage, no Largo Trindade Coelho, onde vai ser lançado o catálogo da exposição, com contributos de João Pinharanda e Alain Thomasset.
A participação na programação está sujeita a marcação e a disponibilidade é limitada.