“As manifestações de generosidade da sociedade portuguesa são um bom sinal, agora é preciso organizar a generosidade, torná-la eficaz”, afirma o Alto Comissário Adjunto para a Imigração e Minorias Étnicas, Rui Marques, um dos mentores da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).
A plataforma, hoje apresentada no espaço Atmosfera M do Montepio, irá permitir centralizar as ofertas de famílias de acolhimento, autarquias dispostas a ajudar e também empresas disponíveis, por exemplo, para oferecerem emprego aos refugiados acolhidos em Portugal.
O Conselho Português dos Refugiados (CPR) já recebeu cerca de uma centena de emails de famílias disponíveis para receberem refugiados. As autarquias de Olhão, Vila Velha de Ródão e Penela são algumas das que também se voluntariaram para ajudar.
O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, anunciou a criação de um fundo de dois milhões de euros para apoiar os refugiados que venham para a cidade, esperam-se 750 pessoas na capital, metade da quota prevista para Portugal. O fundo será gerido em articulação com outras instituições, como a Santa Casa da Misericórdia.
Também várias empresas manifestaram a intenção de oferecerem emprego aos refugiados, sobretudo nas áreas da agricultura e dos serviços.
Além da integração das famílias em Portugal, esta nova plataforma também será direcionada para o apoio aos refugiados no país de origem.
“Um desafio de emergência humanitária exige uma resposta dos Estados e da sociedade civil. Saudamos a generosidade da sociedade portuguesa, mas agora a generosidade precisa de ser organizada e articulada. Temos de responder a essa generosidade de impulso imediato para a tornar eficaz, em complementos com o Estado”, declarou Rui Marques ao jornal Público.
São várias a instituições ligadas à PAR, entre elas estão a Cáritas, a Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade, Comissão Nacional justiça e Paz, o Instituto de Apoio à Criança, Comité Português da Unicef, o Instituto Padre António Vieira, a Obra Católica Portuguesa das Migrações, o Serviço Jesuíta aos Refugiados, além de várias empresas.
Portugal irá acolher mais dos 1500 refugiados inicialmente previsto foi ontem anunciado pelo ministro adjunto, Miguel Poiares Maduro. Agora, deverão ser recebidos em Portugal cerca de 3 mil pessoas que estarão atualmente concentradas na Grécia e no Sul de Itália. A presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito de Morais, indicou, por sua vez, que já foram acolhidos no país 300 refugiados.