O Afeganistão nunca tinha visto nada assim. Uma mulher de 27 anos, vestida com um corpete-armadura de metal que evidenciava as formas físicas femininas, passeou-se sozinha pelas ruas da do bairro de Kote Sangi, em Cabul. A conduta, considerada imprópria, logo originou perseguições, insultos e apedrejamentos.
A tensão foi tal que Kubra Khademi, a artista iraniana protagonista do passeio de oito minutos, ainda não pôde voltar à cidade por temer que as ameaças de morte feitas por e-mail e por telefone se concretizem.
Kubra classificou a sua ação de performance artística, e não de ativismo, no âmbito da defesa dos direitos das mulheres. “Foi uma performance. Eu não sou uma ativista, sou uma artista. As minhas preocupações no meu trabalho derivam da minha vida pessoal, da minha própria experiência… mas eu não uso palavras, eu uso o meu corpo e o meu espaço e tempo”, disse a iraniana ao jornal The Guardian.
A ideia de vestir uma armadura foi inspirada num episódio, passado quando tinha quatro anos, em que Kubra desejou ter roupa interior de ferro depois de ter sido molestada por um estranho, na rua, pela primeira vez. Agora, o traje cumpriu a sua função protetora, contra os apalpões dos homens que a perseguiram pelas ruas de Kabul.