Depois de pagar cerca de 800 euros por uma promessa de emprego em Cabo Verde, a nigeriana Grace (nome fictício) deu por si abandonada. À chegada, em meados de 2025, nada do que estava combinado aconteceu: ninguém a esperava e teve de se desembaraçar num país cuja língua desconhecia, num dos casos que ilustram as queixas de imigrantes sobre expectativas defraudadas.
“A minha irmã, que trabalha no aeroporto, na Nigéria, começou a ver muitas pessoas a viajar para Cabo Verde. Uma senhora disse-lhe que tratava de tudo, que era responsável por uma agência. Deu-me o contacto e avancei”, conta a mulher de 33 anos, numa sala onde atualmente participa em aulas de língua cabo-verdiana, num dos bairros da capital, Praia.