Há 12 anos, no conclave convocado após a resignação de Bento XVI, tudo indica que Jorge Mario Bergoglio se evidenciou pelas palavras críticas que proferiu acerca do funcionamento da Igreja. Agora, na eleição de Leão XIV, terá sido substancialmente diferente. Robert Francis Prevost deu nas vistas sobretudo por ser discreto e reservado.
A reunião na Capela Sistina continua a ser ultrassigilosa, mas várias fontes do Vaticano têm dado conta de que, por volta da hora de almoço do passado dia 8 de maio, a eleição do novo líder da Igreja Católica já estaria encaminhada. Divididos em torno da figura de Pietro Parolin, o italiano que assumiu funções de secretário de Estado durante o pontificado de Francisco e que até então estava na linha da frente dos papabili, os cardeais viram no perfil de Robert Francis Prevost uma possível solução. Não se tratava apenas de uma pessoa avessa a conspirações e manobras de bastidores. Numa altura sensível da geopolítica mundial, era também uma espécie de “o melhor de dois mundos”. Por um lado, provinha de uma grande potência, mas simultaneamente também tinha origens numa “periferia”, uma periferia, por sinal, ainda mais “fim do mundo” do que “o fim do mundo” de Francisco. Por outro lado, tinha mais de duas décadas de experiência como missionário, na América do Sul, junto de populações pobres e remotas, mas, ao mesmo tempo, conhecia alguma coisa dos meandros da Cúria Romana.

