São dez e meia da noite em Ponta Delgada, nos Açores, e a ventania nas ruas da cidade obriga a gestos tolhidos e casacos bem apertados. No entanto, o maior vendaval acaba de sentir-se na grande sala do Teatro Micaelense. Em cima do palco, chegara ao fim a atuação dos Som. Sim. Zero, integrada na intensa programação do festival Tremor, que aconteceu um pouco por toda a ilha, durante cinco dias.
Ao contrário das pessoas que andavam lá fora, as centenas de espectadores atingidos pelo ciclone de emoções, provocado por um espetáculo que reuniu 60 artistas, da Escola de Música de Rabo de Peixe, da Associação de Surdos da Ilha de São Miguel (ASISM) e mais algumas participações especiais, dispensaram os casacos e não pouparam em gestos largos – para sorrir, aplaudir com entusiasmo e abraçar no final.

