A Meta, empresa-mãe de redes sociais como o Facebook ou o WhatsApp, tem vindo a introduzir alterações no Instagram. Os vídeos com menos de 15 minutos são agora publicados em formato Reels e exibidos na página inicial em ecrã completo, tal como a página For You da app vizinha Tiktok.
À medida que o Instagram se afasta das suas raízes, têm sido vários os criadores de conteúdos que se manifestam contra as constantes atualizações. Esta semana foi a vez de Tati Bruening, uma conceituada fotógrafa que alcançou a fama ao capturar retratos das pessoas mais conhecidas do TikTok.
Bruening partilhou, na passada sexta-feira, 22, uma publicação que apela ao regresso às origens do Instagram, com a legenda “Estou a começar um movimento. Vamos trazer de volta o antigo Instagram, partilhem isto nas vossas histórias”. A fotógrafa começou o protesto contra o algoritmo devido à falta de conteúdo que a página inicial apresenta, priorizando apenas vídeos recomendados do Reels.
A publicação explodiu e conta com mais de 2 milhões de gostos. O sucesso deste movimento deve-se, em grande parte, à partilha por parte de duas figuras muito influentes nas plataformas sociais: Kim Kardashian e Kylie Jenner. As famosas meias-irmãs são responsáveis por duas das contas mais seguidas do mundo no Instagram, com 360 milhões e 326 milhões de seguidores, respetivamente.
As duas influencers têm um grande peso no mundo social. Em 2018, um tweet publicado por Kylie Jenner a criticar as atualizações do Snapchat, foi a causa da perda de mais de 1,3 mil milhões de dólares (cerca de 1,05 mil milhões de euros) da empresa.
Desde 2020 que o Instagram experimenta a ferramenta de sugestão de vídeos para combater o competitivo TikTok, cujo algoritmo é baseado nas descobertas na página For You. Deste modo, o Instagram começou a exibir conteúdo recomendado de contas que os utilizadores não seguem, priorizando o conteúdo de vídeo, em detrimento das fotografias e publicações de amigos.
A resposta do CEO do Instagram
Adam Mosseri, atual CEO do Instagram, publicou na última terça-feira um vídeo no Twitter, em resposta às críticas sobre as mais recentes atualizações da rede social.
O responsável máximo pela aplicação justifica-se num vídeo de quase dois minutos e meio, confirmando que a plataforma está a testar várias mudanças, mas que continua a ouvir as preocupações dos utilizadores. O executivo explica, também, que os vídeos em ecrã completo são um teste para uma percentagem de utilizadores conseguirem desfrutar de uma experiência mais divertida e envolvente.
Mosseri admite que embora a plataforma continue a oferecer o suporte de fotografia, os vídeos são o futuro digital. “Vamos continuar a criar espaço para as fotografias, é parte da nossa herança. Mas preciso de ser honesto. Acredito que o Instagram se vai focar mais em vídeos com o decorrer do tempo. Se virem o que as pessoas partilham, percebem que estão a ser publicados mais vídeos. Vamos ter de apoiar esta mudança, enquanto nos focamos, também, nas fotografias”, explica o CEO.
Por fim, o diretor executivo aborda a questão do conteúdo recomendado. A ideia passa pela descoberta “de coisas novas e interessantes que os utilizadores nem sabem que existem”, acrescentando ainda que há a possibilidade de silenciar todas as recomendações durante um mês. “Queremos fazer o nosso melhor pelos criadores de conteúdo, principalmente pelos pequenos criadores e vemos as recomendações como uma das melhores formas de ajudá-los a alcançar um novo público e aumentar os seguidores”, acrescenta.