Lisboa está à venda. Não é propriamente uma novidade, basta tentar alugar um T1, comprar uma bica em determinados sítios da Baixa ou descobrir em que língua se pede agora um pastel de bacalhau. A novidade de Santo António, O Casamenteiro de Lisboa, de Ruben Alves, é imaginar que até os Casamentos de Santo António podem ser privatizados, internacionalizados, modernizados, formatados e entregues a uma multinacional francesa chamada Stardust. Falta apenas cobrar entrada para ver a Sé e transformar o Santo António num boneco oficial com QR Code.

A ideia é boa. Muito boa até. Melhor, infelizmente, do que grande parte dos diálogos que Ruben Alves e Fer Pérez escreveram à sua volta. Porque este é um daqueles filmes em que se percebe imediatamente o que o realizador ama, aquilo que quer defender e até aquilo que o irrita, mas também se percebe demasiado depressa como vai fazer cada personagem chegar ao fim. Há clichés suficientes para alimentar três arraiais, algumas piadas chegam já requentadas e certas situações vêm embrulhadas no papel de uma comédia francesa popular que conhecemos de ginjeira. Mas há qualquer coisa genuína por baixo dessa embalagem: Ruben Alves gosta verdadeiramente de Lisboa. E isso, num tempo em que tanta gente parece gostar sobretudo do seu valor por metro quadrado, já não é pouco.
