Há cidades que se conhecem pelos monumentos. Outras também se conhecem pela forma como cuidam das ruas depois da festa. Quando a música acaba e ficam no chão os restos de uma noite de diversão, percebe-se bem o impacto que os nossos hábitos têm no espaço público.
Entre 8 e 10 de setembro, Guimarães recebe o 8.º Encontro Nacional de Limpeza Urbana (ENLU). A cidade-berço de Portugal, este ano Capital Verde Europeia, acolhe técnicos, autarcas, empresas e especialistas para [des]construir o futuro da limpeza urbana. Ao longo das suas edições, o ENLU tem procurado ser mais do que um espaço de debate. É um ponto de encontro entre quem gere as cidades, quem trabalha diariamente no terreno, quem desenvolve soluções e quem procura novas respostas para problemas que são comuns a muitos municípios. A partilha de experiências e de boas práticas faz, por isso, parte da própria razão de ser do encontro.
É neste contexto que, nesta edição, a Associação Limpeza Urbana e a TOMRA se juntam numa parceria para disponibilizar o sistema CopoMais durante o ENLU. A intenção é simples: trazer para dentro do encontro uma solução que os participantes possam conhecer, utilizar e avaliar.
Lançado em Lisboa, a partir do Bairro Alto, o CopoMais é um sistema de devolução de copos reutilizáveis. Ao pedir uma bebida, o consumidor recebe-a num copo reutilizável e paga uma caução de 50 cêntimos, que recupera quando entrega o copo numa máquina automática. O copo regressa depois ao circuito de utilização, reduzindo a quantidade de descartáveis e evitando que se transforme em mais um resíduo no espaço público.
Durante o 8.º ENLU, os participantes poderão experimentar o sistema sem pagamento de caução. No final de cada dia, poderão entregar o copo reutilizável na máquina instalada no evento e acompanhar, na prática, o processo de devolução.
Esta parceria traduz também aquilo que queremos que o ENLU seja: um lugar onde as soluções não são apenas apresentadas num palco ou num diapositivo, mas onde podem ser vistas a funcionar. Conhecer uma tecnologia, utilizá-la e perceber as suas vantagens e limitações permite uma discussão diferente daquela que se faz apenas em teoria.
E essa demonstração ganha particular importância quando falamos de limpeza urbana. As cidades enfrentam problemas concretos e precisam de respostas que funcionem no dia a dia. Nas zonas de diversão noturna, por exemplo, o consumo de descartáveis torna-se especialmente visível ao amanhecer, com copos e outros resíduos espalhados pelas ruas, junto aos contentores ou nas sarjetas.
O CopoMais apresenta uma possível resposta a esse problema, tornando a devolução simples para o consumidor e permitindo que o copo volte a ser utilizado. A tecnologia facilita o processo, mas o princípio é conhecido: quanto mais fácil for reutilizar e devolver, maior será a possibilidade de esse comportamento passar a fazer parte da rotina.
A experiência iniciada em Lisboa pode, naturalmente, ter interesse para outros territórios. Cada cidade tem características próprias e nenhuma solução deve ser simplesmente copiada. Mas conhecer o que está a ser feito noutros locais, perceber os resultados e discutir a sua adaptação a diferentes realidades é precisamente uma das vantagens de reunir, no mesmo espaço, municípios, empresas, técnicos e especialistas.
É esse o papel que o ENLU pretende assumir. Criar condições para que uma boa prática aplicada numa cidade possa ser conhecida por outra; para que uma dificuldade sentida por um município encontre resposta numa experiência já testada noutro território; e para que empresas e entidades possam mostrar soluções a quem trabalha diariamente na gestão e limpeza do espaço público.
A parceria entre a Associação Limpeza Urbana e a TOMRA é um exemplo dessa lógica de colaboração. Ao trazer o CopoMais para o encontro, não se pretende apenas tornar o próprio ENLU mais sustentável. Pretende-se aproveitar estes três dias para mostrar uma solução em funcionamento, permitir que seja experimentada e abrir a discussão sobre a sua aplicação noutros contextos. Quando um técnico regressa ao seu município com uma ideia para testar, quando duas entidades encontram uma oportunidade para trabalhar em conjunto ou quando uma solução conhecida em Guimarães acaba por ser adaptada às necessidades de outra cidade, a partilha transforma-se em resultado.
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