“Rir é o melhor remédio” é o provérbio português que vai ao encontro da crença mundial de que o riso dá saúde.
Apesar de o sorriso melhorar o humor, reduzir o stress e até treinar o cérebro a ser otimista, os resultados de vários estudos em relação a esta temática mostraram resultados diferentes e não há nenhum que diga que rir cura doenças. Por isso, nada melhor que investigar quem usa o riso como instrumento de trabalho e quem tem a maior habilidade para o humor: os comediantes.
Um estudo, conduzido por autores do site The Conversation, comparou 511 homens e mulheres que estudam improviso e comédia na Upright Brigade Training Centre en Los Angeles e Nova Iorque com 795 pessoas com outra profissão mas na mesma faixa etária, com o mesmo género e educação semelhante.
Como a vulnerabilidade em relação a doenças infecciosas é um indicador de força, ou não, do nosso sistema imunitário, foi perguntado aos participantes quantas doenças, como infeções respiratórias ou na pele, tiveram nos últimos 3 anos.
O número foi muito maior para os “artistas”. No total, a média foi de 40 dias com doenças infecciosas ao contrário dos não-comediantes que apenas passaram 19 dias desses três anos doentes. Estes números levaram à conclusão de que a comédia não só não é benéfica para o sistema imunitário como também pode deteriorar a saúde das pessoas que fazem do humor carreira.
Este fenómeno pode estar relacionado com os níveis de stress a que as pessoas que optam por estas saídas profissionais estão sujeitas. É uma área com muita competição e por isso, consequentemente, é difícil ter suceso. O facto de os comediantes terem de atuar para grandes plateias aumenta a probabilidade de apanharem doenças infecciosas, mesmo que isso não esteja diretamente ligado ao humor em si.
Os investigadores, no entanto, alertam para o facto de este estudo ser correlacional e não implicar uma causa-efeito. Fica assim por descobrir se estas conclusões também se aplicam a outro tipo de artistas, como os músicos, os dançarinos ou os atores.