Quer gostemos, quer não, é óbvio que não temos todos a mesma reação corporal a estímulos como o exercício físico. Mas os investigadores do Joslin Diabetes Centre podem ter descoberto uma pista para este fenómeno: uma hormona que aumenta o nosso metabolismo radicalmente com a prática de exercício físico, mas também quando temos frio.
“Esta é uma área totalmente nova na pesquisa sobre o metabolismo do exercício, e parece que descobrimos outro mecanismo pelo qual o exercício pode ter efeitos benéficos”, esclarece Laurie Goodyear, uma das autoras da pesquisa e Chefe da secção de Fisiologia Integrativa e Metabolismo no Joslin Diabetes Centre. Esta pesquisa teve como base um estudo publicado em 2017.
“Achamos muito impressionante que quando analisámos as lipocinas durante o exercício, a mesma lipocina que aumentou com o frio também aumentou com o exercício”, refere também Goodyear, que conclui que o acto de tremer de frio ativa o mesmo mecanismo de queimar gordura que o exercícdio físico.
12,13-diHOME é como é conhecida a lipocina (hormonas que controlam a gordura) que aumenta significativamente quando estamos a fazer exercício. Foi descoberta em experiências com humanos e ratos.
Foram medidos, em diferentes grupos de voluntários, os níveis das lipocinas antes, imediatamente depois e algumas horas após o exercício físico e verificou-se que a 12,13-diHOME se destacava em relação às outras, logo após a prática de atividade física. Nos ratos, verificou-se o mesmo fenómeno.
Era então necessário perceber qual seria a fonte dessa lipocina. Os cientistas chegaram à conclusão que esta vinha do tecido adiposo castanho, recolheram uma amostra deste tecido de ratos e perceberam que os níveis de 12,13-diHOME, após o exercício, diminuiram drasticamente. Goodyear explica que “parece ser o primeiro exemplo de uma hormona libertada pela gordura castanha que pode regular alguns dos efeitos metabólicos do exercício.”
A esperança é agora a de aplicar esta descoberta a tratamentos para a obesidade.