Por dia morrem 47 portugueses de doenças respiratórias, entenda-se asma, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), pneumonia, fibroses, tumores, bronquiectasias, patologia pleural, tuberculose e gripe. Que, em 2014, levaram ao internamento de 69 384 pessoas, mais 2,4% do que há nove anos, representando 12,1% do total de internamentos da área médica. No mesmo período de tempo, também as fibroses pulmonares registaram um aumento dos internamentos em 69 por cento e as mortes por cancro do pulmão aumentaram 20,4% em relação a 2005. Entre os 117 807 doentes com DPOC, apenas cerca de 9% têm diagnóstico confirmado por espirometria (um teste de sopro que mede a função pulmonar). Estas são algumas das conclusões apresentadas esta segunda-feira, 4, no mais recente relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR)
Na 11.ª edição do relatório são também apontadas as debilidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) face ao diagnóstico e internamentos na área respiratória. A acentuada assimetria regional é uma delas. “É na Região de Lisboa e Vale do Tejo que se verificam as maiores taxas percentuais de internamentos por pneumonia, seguidas das regiões Norte e Centro. Existe uma clara lacuna de acesso a estes cuidados nas outras regiões, como é o caso do Algarve e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Relativamente aos motivos que condicionam a acessibilidade dos doentes respiratórios a estes cuidados foram referenciados fatores como a distância a que ficam os hospitais, o número de dias de internamento e a existência de patologias responsáveis pela gravidade das situações clínicas, e necessidade de monitorização dos doentes”, especifica Artur Teles de Araújo, presidente do ONDR e da Fundação Portuguesa do Pulmão.
Entre 2005 e 2014, houve um aumento de 12% da mortalidade global por doenças respiratórias, com os tumores malignos respiratórios a registarem mais 21% e as pneumonias um crescimento de 28 por cento.
Só os internamentos registaram uma melhoria, tendo diminuído mais de 30% na última década, demonstrando que o SNS consegue dar resposta e controlar a doença maioritariamente em ambulatório. Como forma de travar as lacunas existentes no sistema, desde o diagnóstico ao tratamento, o relatório propõe a criação da Via Verde das Pneumonias nos hospitais (tentando pôr um travão à causa de 40% dos internamentos hospitalares associados às doenças respiratórias), a manutenção ou criação em todos os serviços hospitalares de pneumologia de Consultas de Doenças do Interstício Pulmonar (com prevalência crescente na população portuguesa) e a continuidade na aposta em programas de reabilitação respiratória.