Inês Sousa Real arrancou para a campanha eleitoral, em Lisboa, rodeada por amigos… de quatro patas. A “cãominhada” do PAN, realizada ao início da tarde deste domingo, foi atrapalhada pela chuva. O partido reuniu, ainda assim, cerca de três dezenas de militantes, que percorreram a zona do Parque das Nações ao lado dos seus animais de companhia.
A porta-voz Inês Sousa Real aproveitou os primeiros passos – que conduzem ao ato eleitoral do dia 10 de março – para apelar ao voto no PAN, assumindo como objetivo recuperar o grupo parlamentar que a formação perdeu nas legislativas de 2022 (passando de quatro para apenas um deputado). “Apelo a todas as pessoas, aos ativistas que ajudaram a fundar este partido, às pessoas que têm animais de companhia, às pessoas que estão nas associações na defesa de causas como o ambiente ou os direitos humanos, que votem no PAN, que nos deem mais força, que nos deem um grupo parlamentar para que possamos continuar a fazer os avanços que até agora temos trabalhado”, afirmou.
Apesar das últimas sondagens, que colocam o PAN na cauda das intenções de voto – e em risco de não eleger –, Inês Sousa Real diz “não temer” as urnas. “O PAN é a única força política que tem levado ao Parlamento as causas da proteção animal e da defesa do ambiente; tem sido pela mão do PAN que direitos humanos em matéria de igualdade de género, da causa LGBT, das pessoas idosas ou das pessoas em situação de sem abrigo têm sido debatidos. Somos o partido da oposição que mais medidas tivemos aprovadas [na última legislatura].Aquilo que queremos é ter um grupo parlamentar. Vivemos tempos políticos muito complicados, em que sabemos que existe uma grande indecisão do eleitorado em quem votar, mas sabemos que o voto no PS ou no PSD não vai fazer diferença absolutamente nenhuma… É por isso que faço o apelo ao portugueses, para que nos deem um grupo parlamentar”, sublinhou.

A “cãominhada” do PAN representou um regresso ao passado. Inês Sousa Real apresenta-se a eleições recuperando o PAN como um partido de causas, próximo dos animais. Ainda na última semana, o partido inaugurou um outdoor anti-touradas, junto à praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa. A passeata na companhia de (simpáticos) cães, voltou a confirmar a reaproximação à lógica animalista, que chegou a valer ao partido a eleição de quatro deputados em 2019 – André Silva e Inês Sousa Real (por Lisboa), Bebiana Cunha (Porto) e Cristina Rodrigues (Setúbal), que agora concorre pelo Chega.
Até ao final da campanha, Inês Sousa Real promete “estar em contacto com a população e com os animais de companhia”. “Vamos estar muito próximos da população. Vamos visitar os vários distritos do País, falar sempre daquilo que são as causas das pessoas. Vamos ouvir, estar em contacto e passar a nossa mensagem. O PAN é o único partido do País que cuida das pessoas, protege os animais e defende a natureza”, referiu Inês Sousa Real.

Antes de percorrer as ruas em torno do MEO Arena, aproveitando para distribuir flyers, e oferecer brindes como sacos e utensílios para cães e gatos, Inês Sousa Real aproveitou a proximidade com a estação do Oriente para destacar a “falta de aposta” de PS e PSD na ferrovia nacional, que coloca no topo das prioridades do PAN. “Hoje estamos também ao pé da estação [do Oriente]… Temos tido um atraso estrutural nesta área”, disse, acusando PS e PSD de “terem deixado para trás um grande desafio do País”, que deveria permitir “termos transportes acessíveis para a população, a nível urbano e regional”. “É por isso que o PAN quer criar o passe nacional único gratuito até 2028, para garantirmos que temos esta maior coesão territorial, mas também para combatermos as alterações climáticas por via da descarbonização”, completou.
No capítulo das propostas, Inês Sousa Real regressou aos animais, acrescentando que o PAN “tem defendido mais políticas políticas para ajudar as famílias que têm animais de companhia, mas também as associações, nomeadamente reduzindo o IVA das rações e dos cuidados médicos veterinários dos 23% para os 6%”. “Não podemos continuar a ver estes serviços [para os animais] como bens de luxo, e queremos criar a rede de hospitais veterinários públicos, a par de um 112 animal, que permita um resgate célere dos animais que estejam em risco, em parceria com os bombeiros”, concluiu.

Se os cães votassem, o PAN estava seguro. Inês Sousa Real tem agora duas semanas para convencer os seus tutores.