Os grandes partidos são como os grandes clubes: precisam de ganhar títulos e não podem esperar. E os seus líderes são como os treinadores desses clubes: vivem de resultados. Essa analogia é feita em diversos setores socialistas que, embora animados por recentes sondagens, com uma notória recuperação do PS, ainda não vislumbram como pode o partido regressar ao poder num quadro tripartidário e sem parceiros com quem conversar: à esquerda do PS. Com efeito, não parece vislumbrar-se, tão cedo, força eleitoral suficiente para que estes possam viabilizar uma plataforma de poder maioritária.

A reeleição “norte-coreana” de José Luís Carneiro, no passado sábado, num ambiente de sondagens tão favoráveis, e com 96,9% dos votos, parece revelar um partido unido e pacificado. Para já, pelo menos. Na apresentação da sua recandidatura, Carneiro tinha feito o seu “relatório de contas”: “Olhando para trás, sinto que cumpri com zelo o meu dever. Uni o partido. (…) Com as eleições autárquicas mostrámos que o declínio eleitoral não era irreversível (…). Nas eleições presidenciais, e ao fim de 20 anos afastados da Presidência da República, fomos capazes de apoiar um único candidato. De apoiar o candidato que passou à segunda volta e que, na segunda volta, com o apoio de todos os democratas, derrotou os extremismos, os populismos e a demagogia.” Com efeito, a esperança corporizada em António José Seguro abre espaço aos moderados e a um estilo de liderança menos eletrizante, num ambiente político dominado pela polarização.

