Em 1898, a publicação satírica A Corja fazia uma primeira página com uma caricatura do primeiro-ministro do reino, José Luciano de Castro, e o título O Bacoco. Em 1905, o monarca português, o rei D. Carlos, era recebido, em Paris, com um postal/cartoon, do desenhador satírico Orens, onde o seu rosto, acrescentado por grandes orelhas porcinas descaídas, aparecia no corpo de um porco, tendo uma legenda com o “elogio” à “boa raça lusitana”. Em 2002, o Presidente da República, Jorge Sampaio, apelava à moderação dos termos, na luta político-partidária, depois de um ex-ministro do PS, Manuel Maria Carrilho, ter feito uma alusão ao passado de drogas do então ministro do PSD Nuno Morais Sarmento. Em junho de 2023, o deputado e presidente do Chega, André Ventura (que passa boa parte do seu tempo a chamar “bandido” ao Presidente brasileiro, Lula da Silva, sem que, até à data, se tenha registado algum protesto da embaixada do país irmão…), é admoestado, na Comissão Parlamentar de Inquérito à Tutela Política da Gestão da TAP, por se ter dirigido, recorrentemente, ao antigo ministro Pedro Nuno Santos, com o tratamento por “você”: “Senhor deputado, dirija-se ao dr. Pedro Nuno Santos por senhor doutor”, pediu o presidente da CPI, António Lacerda Sales, tendo o seu apelo sido prontamente aceite. No mesmo mês de 2023, dia 10, durante as comemorações do Dia de Portugal, o primeiro-ministro, António Costa, tinha uma espera de manifestantes, professores, com cartazes onde aparecia com uns lábios negroides exagerados, uns lápis espetados nos olhos e um nariz de porco.
E caíram o Carmo e a Trindade.

