Finalmente, António Costa abordou as convulsões no governo na sequência das polémicas em torno do nome da ex-secretária de Estado do Tesouro Alexandra Reis – que culminou na atribulada demissão de Pedro Nuno Santos –, mas preferiu enfatizar que, tal como nos “momentos de governação exigentes” que já enfrentou como primeiro-ministro, ao longo dos últimos sete anos, a reorganização do executivo, hoje anunciada, garante estarem “reunidas as condições” para que o atual executivo “esteja à altura das expectativas (…) e das responsabilidades” num ano, sublinhou várias vezes, que será “decisivo”.
A “estabilidade” da equipa governativa e a “continuidade” das políticas foram, aliás, o mote principal do discurso de António Costa; e também o principal argumento para justificar as nomeações de João Galamba e Marina Gonçalves como ministros das Infraestruturas e da Habitação, respetivamente. Destacando a “experiência governativa” destes governantes (como antigos secretários de Estado), Costa assegurou que estas escolhas “dão garantias” que “não haverá descontinuidade” no projeto político que lidera, confirmando uma forte aposta na ferrovia e nas políticas sociais de habitação.
Poucas (ou nenhumas) respostas para o caso mais grave
Quando António Costa falou de “casos e casinhos” na recente entrevista à VISÃO, o primeiro-ministro não esperaria, certamente, que, apenas uma dezena de dias depois, teria de enfrentar aquele que, provavelmente, se tornou no caso mais “bicudo” destes sete anos como chefe do governo.
Mas nesta conferência de imprensa, apenas duas horas após ser anunciada nova reorganização governativa, Costa optou por dar respostas curtas (e evasivas) sobre a polémica envolvendo Alexandra Reis.
Questionado sobre se teve ou não influência na nomeação da ex-administradora da TAP e da NAV como secretária de Estado do Tesouro, o primeiro-ministro escusou-se a adiantar pormenores; sobre a abertura de um inquérito pelo Ministério Público à indemnização paga a Alexandra Reis pela transportadora área nacional manifestou satisfação; e só se alongou um pouco para elogiar a atuação de Fernando Medina, considerando que o ministro das Finanças tem tido “o comportamento adequado” perante este caso, “pedindo a demissão” de Alexandra Reis assim que tomou conhecimento que esta recebeu da TAP uma indemnização de 500 mil euros daquela empresa – que, admitiu, “chocou país”.