“Gostava de esclarecer, porque o não pude fazer pessoalmente ainda, que o Governo não interferiu nem direta nem indiretamente nas escolhas que os acionistas privados da EDP fizeram para o futuro Conselho Geral e de Supervisão ou para o Conselho de Administração”, afirmou Passos Coelho, durante uma conferência promovida pelo Diário de Notícias, em Lisboa.
O primeiro-ministro acrescentou que fez saber ao novo acionista da EDP, a empresa chinesa Three Gorges, que “ninguém, mas ninguém, se poderia apresentar alegando o patrocínio do Governo para qualquer lugar”.
Pedro Passos Coelho, defendeu ainda que tem sido coerente com a sua promessa de libertar o Estado do “amiguismo” e das “clientelas”, defendendo-se de críticas às nomeações feitas pelo Governo.
Passos Coelho aproveitou uma conferência promovida pelo Diário de Notícias, em Lisboa, para se defender dessas críticas, assinalando que o Governo alterou a forma de seleção para os lugares superiores do Estado, impondo a realização de concursos públicos conduzidos por uma entidade independente.
“Tive ontem [quarta-feira] ocasião de fazer dirigir um convite a uma personalidade para justamente presidir a essa entidade independente. Espero que até ao final deste mês essa entidade possa estar constituída e que possam, portanto, começar a realizar-se os concursos”, adiantou.
Defesa da nomeação de autarcas para as Águas de Portugal
O primeiro-ministro defendeu, por fim, a nomeação de dois autarcas, um do PSD e outro do CDS-PP, para a administração da Águas de Portugal, afirmando que é preciso resolver um “problema sério” entre esta empresa e os municípios.
No final de uma intervenção numa conferência promovida pelo Diário de Notícias, em Lisboa, Passos Coelho aproveitou para contestar a ideia de que nomeações feitas recentemente pelo Governo contrariam a sua promessa eleitoral de despartidarizar a Administração Pública.
Entre outros casos concretos, Passos Coelho falou da empresa Águas de Portugal, para a qual foram nomeados administradores o presidente da Câmara Municipal do Fundão e dos Autarcas Social Democratas, Manuel Frexes, e o vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, Álvaro Castello-Branco, do CDS-PP.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, defendeu também a nomeação de Álvaro Castello-Branco, ex-dirigente do CDS-PP, como administrador da empresa pública Águas de Portugal (AdP), considerando que é uma nomeação baseada na competência.
“Vi por aí críticas ao dr. Álvaro Castello-Branco por ser do CDS. Quero chamar a atenção para o facto de o dr. Álvaro Castello-Branco ser presidente da Águas do Porto e isso qualifica-o para a AdP, porque tem experiência e não vai à experiência”, disse Paulo Portas em declarações à margem de uma conferência económica em Lisboa.
“A menos que seja por uma questão de xenofobia contra o Norte, alguém que é presidente da Águas do Porto, que conhece o setor, é uma pessoa qualificada para a AdP”, afirmou Paulo Portas.