O estreito de Ormuz voltou a estar na ordem do dia? – poderá estranhar-se. – Então não esteve sempre, tal como o canal de Suez, a Rota do Cabo ou os estreitos da Malásia, dos Dardanelos ou do Bósforo? Afinal, trata-se de um dos pontos estratégicos do Globo, neste caso uma espécie de gargalo de garrafa, sendo essa garrafa o golfo Pérsico, que banha as costas das monarquias petrolíferas das Mil e Uma Noites de hoje. E não é verdade que para nós, portugueses, se trata de uma realidade muito familiar, visto estar intimamente ligado à nossa História?
Pelos vistos, se essa ligação direta existe, ela está sofrer de falta de memória. E uma prova cabal de que o ensino escolar é atualmente muito diferente do que era noutros tempos é o facto de, na televisão e na rádio, se ouvir às vezes, nestes últimos dias, pronunciar a palavra “Ormuz” com um “z” sibilante no final, como se fosse “Ormuze”. Ora, em meados do século XX isto seria praticamente impossível, visto que o topónimo Ormuz era muito familiar aos portugueses minimamente instruídos. Quando se aprendia “de cor e salteado” a História de Portugal, não se ignorava que a cidade de Ormuz e a ilha do mesmo nome, chave do estreito que tem também o nome de ambas, tinha sido conquistada em 1515 por Afonso de Albuquerque, depois de uma tentativa não muito bem-sucedida em 1507, e que viria a constituir um dos pontos estratégicos do Império Português do Oriente.

