Fuad Abu Khammash, autor de imagens impressionantes do horror em Gaza, publicadas na revista VISÃO a 9 de novembro, foi morto quarta-feira, dia 11 de janeiro, num bombardeamento israelita que atingiu uma ambulância do Crescente Vermelho perto do hospital Al-Aqsa em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza.

Fuad Abu Khammash, jornalista e fotógrafo de 28 anos, trabalhava como voluntário com o Crescente Vermelho a documentar os esforços da organização a prestar assistência médica no enclave. Há dois meses, partilhou com a VISÃO a sua determinação em continuar o seu trabalho com uma ambulância e a retratar a situação no terreno, apesar dos bombardeamentos, da falta de bens essenciais e dos cortes de comunicações no território.

“O que me dá força é saber que estou a apoiar as pessoas e que estou a mostrar o que está a acontecer, que estou a expor estes crimes,” disse então. “Quando nos vêem, as pessoas sabem que viemos para as resgatar e sentem-se mais seguras, sentem que há alguém que se importa com elas e que as vai ajudar. Sinto que tenho que manter a compostura, que não posso mostrar fraqueza, porque tenho que fazer com que as pessoas sintam que estou com elas, que não estão sozinhas.”
Em dezembro, um vídeo publicado pela Al Jazeera e partilhado pelo Crescente Vermelho Palestiniano mostra Fuad no hospital Al-Aqsa, em Deir al-Balah. Vestido com o uniforme do Crescente Vermelho e com uma máquina fotográfica pendurada ao pescoço, Fuad abraça e conforta uma criança que tinha sido resgatada dos escombros.
Segundo o Crescente Vermelho, a ambulância foi atingida por um míssil disparado por um drone israelita que matou o fotojornalista Fuad Abu Khammash, o condutor da viatura, Yusuf Abu Ma’mar, os profissionais de saúde, Fadi Al-Maani e Islam Abu Riyala, e os dois feridos que estavam a ser transportados para o hospital e que também sucumbiram.

Os ataques israelitas a Gaza já mataram pelo menos 72 jornalistas palestinianos desde 7 outubro, de acordo com o Comité para a Protecção dos Jornalistas. Segundo o gabinete de imprensa de Gaza, mais de 100 profissionais da comunicação social perderam a vida. Com a imprensa estrangeira impedida de entrar no território, excepto alguns medias estrangeiros que entraram com tropas israelitas, os jornalistas palestinianos são os únicos a cobrirem a situação no terreno.