Dezenas de milhares de palestinianos estão em fuga desde sexta-feira, altura em que Israel emitiu uma ordem de evacuação do norte da Faixa de Gaza. Mais de um milhão de habitantes desta zona tiveram de decidir entre permanecer numa região que está na iminência de ser invadida pelas forças israelitas ou procurar uma suposta segurança no sul e, quem sabe, conseguir passar a fronteira a encontrar abrigo em território internacional.
Desde o dia da ordem que se assiste uma verdadeiro êxodo entre os muitos que escolheram fugir. Palestinianos procuram os melhores meios para se locomover, quer seja em carros, autocarros, carrinhas de caixa aberta, carroças, bicicletas ou até mesmo a pé. Levam consigo os bens que conseguem reunir e carregar e deixam um local que tem agora o fornecimento de combustível, eletricidade e água bloqueado.
As Nações Unidas e os países árabes questionaram a ordem de evacuação de Israel, destacando que muitos habitantes da zona norte da Faixa de Gaza não têm outro local onde se refugiar. A passagem de Rafah, entre Gaza e o Egipto, continua fechada, com a Palestina a alegar que os egípcios fecharam o espaço mas estes a alegarem que tal foi danificado por repetidos ataques aéreos israelitas. Uma situação que impede a fuga de estrangeiros e a chegada de apoio humanitário.
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, advertiu que este êxodo de palestinianos pode levar a um “quase genocídio”. O rei da Jordânia, Abdullah II, destaca que “a crise não pode espalhar-se para os países vizinhos e exacerbar a questão dos refugiados”. O monarca pede a criação de “corredores humanitários urgentes” de forma a se enviar ajuda ao palestinianos.
Mahmoud Abba, presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, alerta que este êxodo pode ser comparado a “uma segunda Nakba”, alusão à fuga de milhares de palestinianos em 1948, quando foi criado o Estado de Israel.