As buscas à prisão nas Honduras onde 46 mulheres foram assassinadas nesta terça-feira, 20, levaram à apreensão de um pequeno arsenal na posse das prisioneiras: machetes, facas, canivetes, 20 pistolas (duas automáticas) e ainda uma espingarda, além de balas e carregadores. As armas foram introduzidas no Centro Feminino de Adaptação Social, a única prisão do país só para mulheres, localizada em Tamara, através de contrabando e deixam à vista um sistema ineficiente de controlo e vigilância que redundou no violento motim.
A acção, que as autoridades acreditam ter origem numa luta entre gangues rivais, foi cuidadosamente planeada pelo gangue Barrio 18 e tem contornos mórbidos. Depois de terem atacado os alvos com tiros e facadas, as agressoras fecharam algumas das vítimas sobreviventes em celas, pulverizando-as com um líquido inflamável e ateando-lhes fogo.
Segundo um porta-voz da polícia de investigação das Honduras, estas vítimas mortais tiveram de ser identificadas através da dentição ou de testes genéticos, tal a extensão das queimaduras. Há suspeita de que o líquido usado tenha sido azeite. Entretanto, prossegue o processo de entrega dos corpos respetivas às famílias. Morreram mais mulheres queimadas do que baleadas e esfaqueadas. Sete feridas foram transferidas para o hospital.
A atuação dos guardas prisionais ainda terá de ser investigada, mas a presidente das Honduras, Xiomara Castro, já deu a entender que terá havido cumplicidade e demitiu o ministro da segurança, substituindo-o pelo diretor da Polícia Nacional. As agressoras tiveram de atravessar a prisão para chegarem ao local onde estavam presas as rivais, numa ala diferente. O que aconteceu depois, nas palavras da presidente, foi “um monstruoso assassínio”.