O governo dos EUA está investigar os episódios que fizeram com que elementos da Defesa dos EUA sofressem, depois de terem feito missões no estrangeiro, lesões cerebrais, com sintomas graves como dores de cabeça, náuseas, vertigens e falta de concentração. Esta condição, denominada síndrome de Havana, já conta com centenas de casos reportados, identificados nas últimas semanas. Mark Zaid, porta-voz dos agentes das forças de segurança dos EUA, já garantiu que “os números estão a aumentar”.
À CNN, algumas fontes disseram que estes casos foram registados em novembro de 2020, em funcionários do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Depois disso, os mesmos sintomas começaram a afetar diplomatas norte-americanos, espiões e funcionários da Defesa Nacional dos EUA.
O New York Times escreve, por seu lado, que três agentes da CIA começaram a ter sintomas graves a partir de dezembro do ano passado, sendo tratados no hospital militar Walter Reed, em Washington. Nesse mesmo mês, a Academia Nacional de Ciências publicou um relatório que confirmava essas lesões cerebrais e que referia que podiam ser resultado de alguma forma de energia de microondas pulsada ou dirigida.
“O comité considerou que muitos dos sinais clínicos e sintomas apresentados por aqueles funcionários eram consentâneos com efeitos de energia de micro-ondas pulsada e dirigida”, indicou o relatório, publicado pela The Hill. O documento não confirma que a energia tenha sido direcionada com intenção, não descartando, contudo, a possibilidade de ter sido emitida através de uma arma. O relatório referia ainda que era “provável que uma multiplicidade de fatores explique alguns casos e as diferenças entre outros”. Um antigo químico no Los Alamos National Laboratory, Cheryl Rofer, já questionou, contudo, as conclusões do estudo.
Os primeiros – ou seja, os mais recentes desde o seu aparecimento, há cerca de cinco anos – casos confirmados tinham foco em Cuba e na China mas, neste momento, já há casos na Europa e outras partes da Ásia, confirmaram as autoridades norte-americanas, referindo que novos casos estão a ser analisados. Já foi criado um grupo de trabalho pelo Conselho de Segurança, para se descobrir se outros episódios não reportados se enquadram no padrão. A Casa Branca está também, neste momento, a padronizar a notificação dos episódios a fim de melhorar os tratamentos das vítimas.
Esta síndrome foi noticiada a primeira vez em 2016/2017, depois de funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Havana começarem a apresentar um estranho conjunto de sintomas. A situação levou ao encerramento quase total da embaixada. Em 2018, foram conhecidos, pelo menos, dois casos semelhantes na China que foram atribuídos a possíveis “ataques com radiação sónica” aos funcionários diplomáticos norte-americanos em Cuba.