Na passada quinta-feira, o governo chinês publicou um “white paper” – um relatório de acesso público – em resposta aos alegados abusos contra uigures e outras minorias étnicas na região de Xinjiang.
Intitulado “Emprego e Direitos do Trabalho em Xinjiang”, o relatório indica que, entre 2014 e 2019, 1,29 milhões de pessoas participaram nos “centros de treino vocacional” de Xinjiang. No documento, o governo de Beijing garante que a região chinesa se “tornou um exemplo bem-sucedido da prática das normas do trabalho internacional e direitos humanos em áreas subdesenvolvidas com minorias étnicas”.
De acordo com o Congresso Mundial Uigur, entre 1 milhão e 1,6 milhões de uigures abandonaram o país nos últimos anos. Acusado de vigiar minorias, encaminhá-las para trabalho forçado e esterilizar mulheres, o governo chinês garante que está apenas a “reeducar” uigures e a combater a pobreza.
A Inglaterra e outros 22 membros das Nações Unidas – entre eles o Japão, a Alemanha e a França – condenaram a China pela detenção de uigures. A pressão internacional foi seguida pelo governo de Trump, que proibiu importações de Xinjiang e decretou sanções ao governo chinês.
Em julho, uma coligação de grupos defensores dos direitos humanos disse que um em cada cinco produtos de algodão vendidos no mundo vinham dos programas de trabalho forçado de Xinjiang, nos quais a maioria dos trabalhadores são uigures. Na terça-feira, a marca H&M afirmou que deixaria de negociar com os produtores da região chinesa até que houvesse “mais clareza em torno das acusações de trabalho forçado.”