Depois de 18 meses em reflexão, fez coincidir com a divulgação das contas de 2008 – lucros de 80 milhões de euros (-71%) e vendas de 5, 3 mil milhões (+ 21%) – a apresentação de uma nova estratégia corporativa: a Distribuição é dividida em 3 áreas – alimentar, não alimentar e imobiliário de retalho; a Sonae Sierra (centros comerciais) e a Sonaecom (telecomunicações) mantêm-se como negócios “core”; e é criada uma área de gestão de investimentos (seguros, agências de viagens, etc). A fusão dos centros corporativos da “holding” e da Distribuição completa esta reorganização.
Com a cisão da área industrial, a holding da Maia ficou muito concentrada em Portugal, onde realiza 90 % do volume de negócios e detém 80% dos activos. “Queremos crescer”, sublinha Paulo Azevedo. Com o aperto no crédito bancário, a internacionalização – a meta é facturar 25% e deter 35% dos activos no exterior, em 2012 – vai obedecer a regras muito estritas. “Só iremos para mercados maduros e nas áreas em que temos competências distintivas, com ou sem parceiros. Nos emergentes, temos de avaliar os riscos políticos, associados ao desenvolvimento de cada país”. Quanto a aquisições, só “onde é importante ter dimensão para arrancar”, devido às dificuldades de financiamento. “Não se pode arriscar o futuro das empresas”, diz.
No retalho, os destinos de eleição poderão ser Espanha – “temos formatos melhores”do que a concorrência – e a Turquia – “está a modernizar-se, com práticas de governação cada vez mais próximas das nossas e, em muitos sectores, está tudo por fazer”. Paulo Azevedo admite, aliás, que toda a bacia mediterrânica pode interessar à Sonae. E avança que terá “mais facilidade em expandir o não alimentar [Worten, Sport Zone…], com menos capital, a partir do formato dos centros comerciais”. Já no alimentar, “ou esperamos mais tempo – e ganhamos dinheiro para uma aquisição de peso – ou começamos em países que estão a desenvolver o retalho”.