Numa segunda simulação, a pedido da Lusa, a Deco considerou um trabalhador de 50 anos que tem que fazer entregas mensais durante 15 anos (até atingir os 65 anos) para conseguir receber uma pensão de valor igual ao seu actual salário (os mesmos 1.520 euros).
Para esta idade, a Deco aconselha apenas PPR mais defensivos, “sobre a forma de seguro com capital e rendimento mínimo garantido”, mas para o conseguir este trabalhador teria que começar a pôr de lado 1.213 euros, cerca de 80 por cento do seu salário mensal.
Estes cálculos da Deco têm em conta as novas regras dos cálculos de pensões, em vigor desde Janeiro de 2007.
A reforma da Segurança Social efectuada pelo Executivo de José Sócrates assentou na introdução de um factor de sustentabilidade para efeito do cálculo das pensões ligado ao aumento da esperança média de vida, que poderá levar os cidadãos a trabalhar um pouco além da idade da reforma, descontar um pouco mais ou receber um pouco menos de pensão. A nova fórmula de cálculo de pensões prevê ainda que se passe a ter como base toda a carreira contributiva e a introdução de um novo indexante para os aumentos anuais das pensões (com base na inflação e no crescimento económico).
Além disso, estabeleceu a protecção das longas carreiras contributivas, a limitação das pensões mais altas, a promoção do envelhecimento activo e o reforço do combate à fraude e evasão contributiva, entre outras medidas.
Um estudo da consultora Optimize, realizado no final de 2008 e tendo em conta já as novas regras do cálculo das pensões, faz cálculos muito semelhantes aos da Deco. Um português tem de fazer uma poupança complementar de seis a 24 por cento do salário para garantir uma reforma de 80 por cento do último salário.
A poupança adicional aos descontos obrigatórios para a segurança social dependem do sexo do trabalhador, da sua idade e da remuneração que consegue ou espera conseguir obter com essa poupança.
Assim, para a geração dos 30 anos, a poupança complementar dos homens deve ser de 16 por cento e das mulheres de 20 por cento.
Na geração dos 40, esses valores descem para 14 e 18 por cento, respectivamente.
Quem tem pelo menos 50 anos, segundo o mesmo estudo, deve poupar 14 por cento se for homem e 17 por cento se for mulher, para garantir que obtém 80 por cento do salário quando se reformar.
Este cálculos assumem uma remuneração de 4 por cento ao ano da poupança e um crescimento salarial de dois pontos percentuais acima da inflação por cada ano.
Na sexta-feira a Comissão Europeia divulga um estudo de avaliação sobre o impacto da crise nos regimes de pensões no âmbito do Plano de Relançamento Económico.