O NOS Primavera Sound diferencia-se dos outros portugueses na maneira como lança o cartaz – com pouca promoção e todo de uma só vez. O anúncio do repertório da edição irmã, em Barcelona, conhecido há duas semanas, deixou o público expectante para os nomes que poderiam ser replicados na edição portuguesa.
Desde o ano passado que se sabia que os Pavement, depois de anos sem dar concertos, se iriam reunir apenas para dois concertos, nas duas edições do Primavera Sound. Cá, ficaram-se por cabeças de cartaz de sábado, dia 13. Já para os restantes dias, tudo estava em aberto. Mas as delícias dos fãs ficaram feitas quando se soube que os lugares principais seriam ocupados por Tyler, the Creator e Lana Del Rey.
O vanguardista do hip-hop experimental americano ganhou, no passado dia 27 de janeiro, o Grammy para Melhor Álbum Rap com “Igor”, o seu último projeto, lançado no ano passado, e que integrou as listas de “Melhores do Ano” e até da década de várias revistas de música internacionais. Sucesso esse que o faz agora ser cabeça de cartaz, quando, há apenas dois anos, atuou no palco secundário do Parque da Cidade, para um mar de fãs que mal coube no espaço modesto atribuído a um artista da sua dimensão.
Lana Del Rey tem em comum com Tyler, the Creator mais do que se possa pensar. Também ela teve um dos melhores álbuns do ano passado com “Norman Fucking Rockwell” e a sua última passagem por terras lusas não vai há muito tempo. Foi no ano passado, no Super Bock Super Rock, onde esgotou o seu dia e deu um concerto mágico, atestado de lágrimas, romantismo e emoção, para uma fartura de fãs a quem não escapava nem uma palavra.
Diretamente do alistamento de Barcelona e também das classificações de “Melhores do Ano”, surge FKA Twigs, no primeiro dia. A última atuação da britânica foi no Primavera, em 2015, e as expectativas estão altas para o espetáculo que poderá dar este ano, face aos vídeos dos concertos invulgares e intimistas da cantora que vão surgindo pelas redes sociais.
Ao seu lado, ainda no dia 11, vai atuar Beck, regressado a Portugal após 10 anos. O último concerto do americano foi em 2008, no Super Bock Super Rock, e desde aí já editou três álbuns, que lhe arrecadaram três prémios Grammy, entre eles o de Melhor Álbum do Ano para “Morning Phase”, em 2014.

Na edição de 2020, o Primavera continua a apostar na versatilidade de estilos e a optar pela contemporaneidade, características pela quais tem vindo a ser criticado por alguns dos fãs originais do festival. O reggeaton, representado na edição passada pelo guru do género, J. Balvin, volta a estar presente em 2020. Do repertório deste ano constam nomes como Bad Gyal, Yung Beef e DJ Playero, no sábado, e Bad Bunny, em grande destaque no segundo dia de concertos. O porto-riquenho já tinha sido confirmado para o MEO Sudoeste, pelo que foi uma surpresa ter sido também anunciado para o festival nortenho.
Focado no eclectismo de um fã de música em pleno 2020, nenhum dia fica, no entanto, demarcado por apenas um estilo. Na quinta-feira, ao hip-hop experimental de Tyler, the Creator, ao rock alternativo de Beck e ao pop angelical de FKA Twigs juntam-se nomes como Cigarettes After Sex, Kim Gordon – ícone dos finados Sonic Youth – e DIIV.
Já no segundo dia, caso o contraste entre Lana Del Rey e Bad Bunny não fosse suficiente, somam-se à mistura o hip-hop sombrio de Earl Sweatshirt – em tempos grande amigo e colaborador de Tyler, the Creator, no icónico grupo Odd Future -, o forró eletrónico da drag queen brasileira Pabllo Vittar e o folk psicadélico de Weyes Blood.
No culminar do festival, juntam-se a Pavement o sadboy King Krule, que se estreou em Portugal em 2017, no Vodafone Paredes de Coura, o produtor de eletrónica Mura Masa, para redimir o cancelamento em cima da hora no ano passado, e Jamila Woods, uma das novas vozes da metamorfose do R&B.
Em falta face ao cartaz catalão ficam nomes como Massive Attack, Young Thug, Kacey Musgraves, King Gizzard & The Lizard Wizard e Disclosure. Como é habitual, também há artistas e bandas da edição de Barcelona que já foram confirmados para outros festivais portugueses, como é o caso dos The National no Rock in Rio, Iggy Pop no EDP Vilar de Mouros e The Strokes, Fountaines D.C e Caribou no NOS Alive.
Como não poderia faltar, a aposta em artistas portugueses também continua. Este ano, o trap satírico de Chico da Tina e a Portugalidade chunga sem vergonhas de David Bruno, dos Conjunto Corona, são os destaques. A eles juntam-se DJ Firmeza, MVRIA, Montanhas Azuis, Throes + The Shine, Holy Nothing e Arrogance Arrogance.
A edição de 2020 do NOS Primavera Sound tem data marcada para 11, 12 e 13 de junho, no Parque da Cidade do Porto.