É sabido que a comédia é o género mais ingrato do cinema. Mas será possível realizar um filme com menos de hora e meia, apenas com Charlie Sheen, com os pés dentro de sapatos apertados, de óculos invariavelmente escuros e conduzindo um Cadillac decorado a bacon e ovos estrelados? Parece-me que não! Claro que, pelo meio, temos Bill Murray, Patricia Arquette e Jason Schwartzman (os melhores do filme) para tentar salvar a cena… Mas não chega! Estamos na costa solarenga da Califórnia, temos muitos filtros, brilhos cativantes, muitas cores. Tantas que conseguem rivalizar com o excesso enjoativo, auditivo, das canções de Liam Hayes. Não saberá Roman Coppola, repito, que a comédia é o género mais sério, mais denso, mais difícil, da arte dramática? Que não basta atafulhar a tela de objectos divertidos para fazer com que o espectador olhe para ela? Não saberá ele que o objecto pode ocupar o centro da narrativa e não ser somente um catálogo de bric-a-brac vendido on-line? Na escola, não lhe terão mostrado alguns dos mestres do “objecto-protagonista”: Michelangelo Antonioni (O Mistério de Oberwald, 1981), Stanley Kubrick (2001 Odisseia no Espaço, 1969), Andrei Tarkovsky (Nostalgia, 1983) ou David Lynch (Inland Empire, 2006)?
Agora, vou a correr buscar um DVD e ver o colorido de alguma das melhores comédias de Pedro Almodóvar.