PRÓS
O terceiro filme de guerra deste top ten. Está algures entre o irrealismo do primeiro e o autenticismo do segundo. Diz-se “algures”, porque nunca é fácil classificar Tarantino (isso faz parte do seu encanto). Por isso, foi preciso arranjar-lhe um neologismo: tarantinesco. Mais uma vez, o realizador exibe a sua mestria na arte de reciclagem, desde que se tornou no maior ecoponto da indústria cinematográfica. Pega em referências cinéfilas, reconstrói convenções de género, incorpora clichés (e as suas próprias private jokes, e as suas imagens de marca), aproveita bandas sonoras de outros filmes, manipula emoções, e quase que faz jogo sujo com os espectadores. Tanto como aquele bando de psicopatas, mercenários e bastardos americanos, que se encontram na França ocupada com uma missão militar: não só matar cada nazi que se lhes depare pela frente mas também tirar-lhe os escalpes… O que é um dos muitos achados deste filme. Certo é que Tarantino reciclou-se a si próprio, e sai-se com algo inteiramente novo… apesar de velho. É um realizador-frankenstein, retalha, cose e costura, pega em convenções mortas e dá-lhes nova vida. Pelo meio temos personagens extraordinárias, um casting perfeito, conversas banais, mesmo à Tarantino, genialmente prolongadas no meio das situações mais tensas.
CONTRAS
A academia já provou ter inteligência suficiente para premiar um filme que fazia humor (embora um humor doce) com coisas sérias, como foi o caso de A Vida É Bela (Oscar para Melhor Filme Estrangeiro, em 1997). Só que o humor de Tarantino não é tão tragável pelas mentes mais conservadoras, nem tem a frescura de uma novidade. Não convenceu Cannes, em detrimento de O Laço Branco, mas ainda pode contar com o Oscar de Melhor Argumento Original ou o quase, quase garantido Oscar de Melhor Actor Secundário para o absolutamente extraordinário, além de quadruplamente poliglota, actor Christoph Waltz.