Um agricultor brasileiro que vende soja à China, uma família israelita que continua à espera de segurança e um trabalhador americano que protesta contra o preço dos combustíveis dificilmente pensam estar a participar na mesma decisão. Entre 25 de outubro e 3 de novembro, porém, os seus votos podem cruzar-se onde menos esperam: nas condições de sobrevivência da Ucrânia, no futuro do Irão e na capacidade da Europa para defender os seus interesses. A distância entre estas eleições mede-se em quilómetros. As suas consequências encontram-se nos mesmos mercados, nas mesmas alianças e nas mesmas guerras.
Em dez dias, o Brasil escolhe o Presidente, Israel elege o Parlamento e os americanos renovam a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Cada eleitorado chega às urnas com preocupações próprias. Mas há uma questão que atravessa as três votações: quanto poder terão dirigentes que procuram transformar mandatos nacionais em liberdade de ação internacional? E quem suportará os custos das decisões tomadas em nome desses mandatos, quando os seus efeitos ultrapassam largamente as fronteiras de quem votou?