
Divulgacao
Na celebração dos 20 anos de existência, o Útero Teatro reconhece o papel das duas cidades que habitou – Almada e Guimarães – e da forte presença ali da indústria e dos trabalhadores fabris, donos de uma grande consciência política. “Tal como os artistas, pensam o mundo na sua imensa fragilidade e força de transformação”, sublinha-se. A mudança da companhia para a Cidade Berço dá-se por altura da Capital Europeia da Cultura, em 2012. “Guimarães é um marco na nossa história, porque é a cidade que reconhece o nosso trabalho e nos permite desenvolvê-lo de acordo com aquilo em que acreditamos”, diz o diretor Miguel Moreira.
Quem conhece o percurso do Útero Teatro sabe que não pode esperar de Operários um espetáculo documental. Na nova criação, o grupo volta a “convocar o público para experiências para as quais, muitas vezes, não está preparado e que suscitam emoções díspares”. Há uma identidade muito própria, sombria, carnal e perversa, imediatamente reconhecível, até pela utilização de cenários despojados e de materiais como a água e o pó. “Sempre gostei de ver espetáculos que não compreendia, trágicos… isso influenciou o meu caminho enquanto artista”, reconhece Miguel Moreira. Em Operários, convoca a sua habitual “banda”, como gosta de chamar ao coletivo que o rodeia, onde sobressai, pelo virtuosismo, o bailarino Romeu Runa. Pela primeira vez, Miguel Moreira acompanha-o em palco, numa peça que, embora avessa a classificações, é mais marcadamente de dança. “Tive desde muito cedo a influência da dança, mas levei muito tempo a assumir que esta não vive só da técnica e pode ir muito mais além da fisicalidade.” Neste “concerto” com zonas híbridas onde os “sons” se confundem, trazem convidados de fora da “banda” (Sara Garcia, Beatriz Bizarro, Teresa Esteves da Fonseca e ShadowMan). A partilha de processos entre artistas, essa, continua a ser uma constante da companhia.
Operários > Centro Cultural Vila Flor > Av. D. Afonso Henriques, 701, Guimarães > T. 253 424 700 > 30 set, sáb 21h30 > €7,50