
“Chegado a esta idade, a alternativa a fazer de velho é fazer de morto”, disse Michael Caine, em entrevista à Indiewire, com o humor britânico que sempre o caracterizou. Caine, muito a seu estilo, é o protagonista de A Juventude, do italiano Paolo Sorrentino. Um surpreendente papel numa carreia longuíssima. Contracena com Harvey Keitel. Um faz de compositor aposentado, que recusa um convite da rainha de Inglaterra para dirigir um concerto de homenagem ao príncipe Filipe. O outro, de realizador incompreendido e decadente, a rodar o seu filme testamento. Sorrentino, que teve o mérito de chegar a Cannes com seis filmes, é por natureza megalómano e estilista. Em A Juventude cria um universo à parte, a caminho do onírico. A ação passa-se numa estância de luxo nos Alpes Suíços. Ali se encontram as mais variadas solenidades, como um monge budista, a miss universo, ou um antigo jogador de futebol sul-americano que facilmente podemos identificar como Maradona. É um cenário mágico, próximo de Fellini, onde há uma suspensão do tempo. Sorrentino é da escola de que vale a pena sacrificar outros aspetos em nome de um plano esteticamente deslumbrante. Contudo, isso não o impede que o filme aborde questões essenciais da humanidade; a vida e a morte; a juventude e a velhice.
A Juventude > De Paolo Sorrentino, com Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Jane Fonda, Paul Dano > 118 min