São dez da noite em Espiunca, uma aldeia do concelho de Arouca com apenas 22 habitantes, e não se vê vivalma. Ao nascer do sol, apenas o cantar dos galos se intromete no barulho constante da água a correr sobre as pedras. De repente, o barulho do motor de um carro: “Sabe qual é o caminho para os tais passadiços?”.
Tem sido assim diariamente desde que, a 20 de junho passado, foram inaugurados os novos Passadiços do Paiva, uma estrutura de madeira de pinho que parece interminável, suspensa em falésias e pequenos desfiladeiros, acompanhando sempre a margem esquerda daquele a que chamam o rio mais selvagem de Portugal, o Paiva. No total, são quase nove quilómetros que, em menos de dois meses, se tornaram num local de romaria para milhares de portugueses. A caminhar ou a correr, querem contornar aqueles pedregulhos, fazer aquelas curvas apertadas, conforme as falésias e os obstáculos transformados em elegantes miradouros, e assim mergulhar na natureza.