De acordo com um estudo, publicado este mês na Revista Heart, as vacinas contra a Covid-19 reduzem substancialmente a possibilidade de desenvolver doenças cardíacas ligadas à contração do vírus, como a insuficiência e a formação de coágulos sanguíneos perigosos, durante até um ano após a sua administração.
As vacinas contra a COVID-19, como as da Oxford-AstraZeneca, Pfizer e Moderna, foram aprovadas sob autorização de emergência em dezembro de 2020 e demonstraram ter uma elevada eficácia contra a infeção por SARS-CoV-2, diminuindo os casos de hospitalização e morte relacionadas com o vírus. Contudo, surgiram preocupações após alguns relatos de doentes que sofreram eventos tromboembólicos – formações de coágulos no sangue que podem ser fatais – incomuns após a vacina. Registou-se um aumento de algumas doenças cardíacas raras, tal como acontece após a toma de outras vacinas, como a da gripe.
Estudos realizados anteriormente mostram que a infecção por SARS-CoV-2 pode ser responsável por desencadear estes problemas cardíacos e sanguíneos, sendo que no primeiro ano após a contração do vírus este risco é muito elevado, embora depois diminua lentamente com o tempo.
Os investigadores recorreram a fontes de dados representativas, de três países europeus, para avaliar o efeito global das vacinas. Partindo da análise de registos de saúde de mais de 20 milhões de pessoas, do Reino Unido, de Espanha e da Estónia. Metade foram vacinadas e a outra metade, não.
Os resultados foram consistentes: as vacinas protegeram os doentes contra as possíveis complicações cardiovasculares graves do vírus. Em casos agudos de Covid-19 os efeitos de redução deste risco foram mais acentuados – e consistentes com o efeito da vacina na redução da gravidade do vírus – em comparação com os casos das pessoas que não foram vacinadas contra o SARS-CoV-2.
Os cientistas envolvidos na investigação explicam que, no primeiro mês após a contração da infeção, a proteção contra patologias do sistema cardiovascular, resultante da vacina, é superior. Durante esse período, o risco de insuficiência cardíaca foi 55% inferior e o risco de formação de coágulos sanguíneos, nas veias e artérias, diminuiu 78% e 47%, respetivamente, comparando com as taxas de probabilidade nas pessoas não vacinadas. De seis a 12 meses após detetar o vírus, os riscos das mesmas complicações foram 48%, 50% e 38% menores, respetivamente, para as pessoas vacinadas.
Daniel Prieto-Alhambra, professor de farmácia e epidemiologia de dispositivos na Universidade de Oxford e coautor do estudo, diz que, embora os efeitos protetores das vacinas diminuam a longo prazo, continua a existir um risco muito reduzido de sofrer destas complicações pós-Covid, até um ano após a vacinação.
O especialista acredita que os resultados deste estudo podem ser reconfortantes para as pessoas que têm medo de ter complicações cardiovasculares ou coágulos sanguíneos. “A mensagem geral é que, se a pessoa for vacinada, o risco de ter complicações cardiovasculares e tromboembólicas pós-Covid será reduzido drasticamente.”