A Plataforma pela Floresta pretende a revogação da atual Lei da Floresta, aprovada em julho de 2013 (decreto-lei 96/2013). De acordo com a organização, o decreto-lei “incentiva a perpetuação da situação de descontrolo e desordenamento que existe na floresta portuguesa”.
Segundo João Camargo, da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), “a situação é bastante grave”. Para o técnico da LPN, a falta de ordenamento é notória e pode ser explicada em números: dos 850 mil hectares florestais, mais de 600 mil estão desordenados. Quanto à percentagem das áreas florestais sob gestão pública, a média europeia é de 50%. Em Portugal, é de apenas 2%.
Portugal é o país com maior área de eucalipto plantado na Europa e ocupa a 5ª posição a nível mundial. Quanto à área relativa, o eucalipto ocupa 8,9% do território nacional (maior área relativa do mundo).
Apesar de os números apontarem para um excessivo cultivo da espécie exótica, a “lei do eucalipto livre” acaba por incentivar a plantação de espécies de crescimento rápido como o eucalyptus globulus. Esta lei colide com resoluções anteriores do Ministério do Ambiente, que chegou a propor a classificação da espécie como “invasora”.
O texto da Plataforma pela Floresta foi subscrito por 20 organizações e 15 individualidades. A iniciativa é promovida por várias associações, como a Oikos, Geota, Quercus, Confederação Nacional da Agricultura, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Federação Nacional dos Baldios, Associação Portuguesa de Arquitetos Paisagistas, Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, ou a Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza.