Estamos numa saleta de Santa Marta. Uma única janela dá para um pequeno átrio interior que abre um cantinho de céu azul.
O Papa entra, repentinamente, por uma porta e tem o rosto relaxado e sorridente. Observa, divertido, os muitos gravadores que a ânsia de um jornalista senil colocou sobre uma mesa. «Funcionam? Sim? Ora bem…» O balanço de um ano? Não, os balanços não lhe agradam. «Só faço isso de quinze em quinze dias, com o meu confessor.»
> O senhor, Santo Padre, muitas vezes telefona a quem lhe pede ajuda. E por vezes não acreditam que é o senhor.
Sim, compreende-se. Quando alguém telefona, é porque quer falar, tem uma pergunta a fazer, um conselho a pedir. Como sacerdote em Buenos Aires era mais fácil. E, para mim, é um hábito. Um serviço. Sinto-o cá dentro. Claro que agora não é tão fácil de fazer, dada a quantidade de pessoas que me escrevem.