Às vezes um homem e o seu sonho cruzam-se. Em 1998, houve um encontro desses, em Lisboa. Não foi fortuito – estava a ser preparado há mais de meio século. E também não passou despercebido: todo o mundo fez eco desse encontro, mesmo desconhecendo o longo namoro que o precedeu. O homem é Mário de Oliveira Ruivo, 71 anos, e os oceanos são o seu sonho.
Tudo começou quando um jovem activista político, amordaçado por um regime totalitário, saiu dos estreitos limites da sua terra, acossado pela polícia fascista. Muitos exílios depois, passados 50 anos de discussões, encontros, viagens, a missão está quase cumprida: daqui a cinco di as, a 1 de Setembro, o mundo dar-lhe-á finalmente ouvidos, quando for apresentado o relatório internacional sobre o estado dos oceanos, no recinto da Expo’98 (ver caixa).
A ligação ao mar iniciou-se em 1950, altura em que publicou um estudo sobre a sardinha na costa portuguesa. Já então se confirmava como um estudante brihante: acabou a licenciatura em Biologia com 18 valores e arrancou a nota máxima, 20, no estágio. «Comecei por estudar os vírus porque estava interessado na origem da vida. Mas não continuei pois corria o risco de contaminar o Jardim Botânico. Em Lisboa, não havia condições para o desenvolvimento de tais investigações», conta.
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